Sears, a primeira rede dos EUA a ser a ‘loja de todas as coisas’, pede concordata

Cadeia centenária não resistiu ao avanço do comércio eletrônico e à ascensão da Amazon. Empresa tinha prejuízo desde 2011

A rede americana de lojas Sears apresentou nesta segunda-feira, um pedido de proteção contra credores, amparada pelo Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos. Trata-se de um mecanismo parecido com a concordata ou com o pedido de recuperação judicial existente na legislação brasileira e que permite que as empresas continuem operando e se reorganizando sem a pressão de seus credores.

A cadeia centenária, conhecida por ser a primeira “loja de todas as coisas” e que já foi líder do mercado de varejo nos EUA, não resistiu à evolução tecnológica que transformou o setor. Nos últimos anos, a empresa fechou centenas de lojas em meio a uma reorganização comercial causada em parte pela ascensão da Amazon e de outrosplayers do comércio eletrônico, e, nesta segunda-feira, não conseguiu os US$ 134 milhões necessários para pagar parte de suas dívidas .

Na última sexta-feira, o Wall Street journal, citando fontes familiarizadas com o assunto, informou que os grandes credores da empresas estavam pressionando para que a Sears encerrasse as operações e anunciasse a falência. A administração da Sears, por sua vez, disse que esperava usar o Capítulo 11 da Lei de Falências para continuar nos negócios.

Desde 2011, a Sears não apresenta lucros, e seu presidente, Eddie Lampert, é criticado por ter deixado o serviço na empresa se deteriorar. Nos documentos do pedido de falência, a empresa declara ter US$ 6,9 bilhões em ativos e US$ 11,3 bilhões de passivo.

O pedido de falência foi motivado por um impasse entre Lampert, que além de CEO é também o maior acionista e credor da rede, e um comitê do Conselho, uma vez que ambas as partes não conseguiram concordar com o plano de resgate proposto por Lampert.

Rede vai fechar mais de 100 lojas

Em nota, Lampert disse que a declaração de insolvência permitiria à empresa “flexibilidade para fortalecer seu equilíbrio” e acelerar uma transformação estratégica.

De acordo com o comunicado, a Sears venderá ativos e começará fechando 142 lojas não lucrativas até o final do ano, além do já anunciado fechamento de 46 lojas em novembro. A rede, que hoje tem 700 lojas, espera se reorganizar em torno de uma plataforma menor de unidades.

A empresa disse que continua pagando os salários e benefícios dos funcionários e está trabalhando com seus fornecedores para garantir que não faltem produtos em suas prateleiras.

“A empresa acredita que uma reorganização bem-sucedida salvará a rede e os empregos de dezenas de milhares de funcionários”, disse a Sears em comunicado.

A rede varejista empregava cerca de 89 mil trabalhadores nos Estados Unidos em fevereiro, em comparação com 246 mil funcionários de cinco anos atrás.

As ações da Sears caíram mais de 50% na última semana, para cerca de US$ 0,35 por ação. Na sexta-feir,a fecharam a cerca de US$ 0,41.  Após Lampert, que já foi saudado como um novo Warren Buffett, ter fundido a Sears com a rede Kmart,  num negócio de US$ 11 bilhões, em 2005, os papéis da rede varejista chegaram a ser cotados a US$ 100.

A Amazon de sua época

A Sears remonta ao final da década de 1880 e seus catálogos por correspondência, com oferta desde brinquedos, remédios e gramofones a automóveis, kits para casa e até mesmo lápides, fizeram da rede a Amazon de seu tempo. A Sears Tower de Chicago foi o edifício mais alto do mundo quando foi concluído em 1973, mas, nas décadas seguintes, os consumidores recorreram cada vez mais ao e-commerce e a outros concorrentes com grandes lojas físicas, como Walmart e Target.

Lampert e seu fundo de hedge, o ESL Investments Inc, possuem pouco mais de 50% das ações da Sears e são seus maiores credores, com cerca de US$ 2,5 bilhões devidos ao executivo e aos fundos que ele controla.

Os investimentos de Lampert

Uma das questões pendentes para os investidores gira em torno do valor dos ativos da Sears, que incluem imóveis de primeira linha. A rede vendeu 235 das suas melhores lojas por US $ 2,7 bilhões para uma empresa criada por Lampert, a Seritage Growth Properties. Essas transações podem ser submetidas a novos escrutínios pelos credores da Sears no tribunal de falências.

“Quando você entra em uma falência, você está vivendo em um aquário e cada transação será analisada e examinada minuciosamente”, disse Corali Lopez-Castro, sócio-gerente do escritório de advocacia Kozyak Tropin & Throckmorton.

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