Rússia mostra o míssil que EUA acusam de violar tratado nuclear

O Exército russo apresentou o sistema de mísseis que os Estados Unidos acusam de desrespeitar o Tratado Nuclear de Mísseis de Médio Alcance (INF, na sigla em inglês). Diante de jornalistas reunidos no parque Patriota, a 50 quilômetros de Moscou , autoridades descreveram em detalhes o sistema de mísseis 9M729, afirmando que  seu alcance máximo é de 480 quilômetros, em conformidade com o estabelecido pelo tratado.

O sistema de mísseis pode transportar ogivas nucleares. O seu alcance foi confirmado durante exercícios estratégicos em 2017, disse à imprensa o general Mikhail Matveevski. O Ministério da Defesa russo disse que diplomatas dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Alemanha foram convidados a comparecer à exibição, mas recusaram.

O Tratado INF, de 1987, que aboliu o uso de mísseis com alcance de entre 500 e 5.500 quilômetros, pôs fim à crise dos euromísseis deflagrada na década de 1980 pela mobilização de ogivas nucleares SS-20 soviéticas dirigidas a capitais ocidentais.

Em outubro passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sua intenção de se retirar do acordo, ao considerar que Moscou o desrespeitou. A Rússia nega as alegações do americano, a que chama de “infundadas”, e acusou Washington de violar o tratado.

Em dezembro, Washington impôs um ultimato de 60 dias a Moscou para cumprir o tratado, que terminará em 02 de fevereiro. Caso contrário, ameaçou dar início ao processo de retirada do acordo em fevereiro. Presente durante o evento, o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, afirmou que o tratado INF deve ser “preservado” e que cabe aos Estados Unidos “tomarem esta decisão”.

A Rússia afirmou que propôs aos americanos uma “série de medidas concretas” sobre os mísseis 9M729 que, segundo o país, permitiriam “descartar toda suspeita sobre o descumprimento do tratado”. O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse na semana passada que Moscou está disposta a trabalhar para “salvar” o tratado.

O presidente russo, Vladimir Putin, não manteve o mesmo tom. Recorrendo igualmente a ameaças, advertiu para o risco de uma nova corrida armamentista. Disse ainda que a Rússia vai desenvolver novos mísseis, caso o tratado INF chegue ao fim. Também propôs que novos países integrem o tratado, em alusão à China, que tem desenvolvido mísseis nucleares proibidos pelo texto. Esta manobra tem, contudo, poucas chances de avançar.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, repetiu a posição europeia de preservação do tratado que afeta “os interesses fundamentais da segurança” de Berlim e da Europa na semana passada.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Maria Zakharova disse que a Rússia sugeriu que as duas nações discutam a questão paralelamente a uma reunião das potências nucleares em Pequim no fim deste mês, mas não recebeu “uma resposta concreta”. Diplomatas ocidentais minimizaram as chances de os dois países resolverem suas diferenças no encontro, caso ocorra.

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