Pesquisadores brasileiros estudam pegadas de animais pré-históricos descobertas nos EUA

Vestígios demonstram presença de espécie dependente de água em área desértica, comenta pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Continuidade dos estudos depende de financiamento.

Pesquisadores do Rio Grande do Sul descobriram e estão estudando vestígios deixados por animais pré-históricos no Grand Canyon, nos Estados Unidos. A professora Paula Dentzien, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), e o pesquisador Heitor Francischini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), encontraram pegadas de diadectomorfos nas rochas do parque norte-americano, constatação que traz novas informações sobre a evolução.

“Esses resultados são só a ponta do iceberg”, conta Paula.

Os diadectomorfos são o link entre os anfíbios e os amniotas (animais adaptados ao ambiente terrestre, sem necessariamente precisar de água). Eles viveram no período Permiano, há aproximadamente 280 milhões de anos, e mediam cerca de um metro de comprimento, da cabeça até a cauda. A presença de pegadas da espécie em um ambiente desértico foi uma surpresa.

Os pesquisadores estavam em uma temporada de estudos e trabalho nos Estados Unidos, quando decidiram visitar uma trilha do Grand Canyon, sabendo que ali ocorriam pegadas fósseis. “Durante essa trilha, o Heitor reconheceu que a morfologia de algumas pegadas era completamente diferente das pegadas esperadas para o ambiente desértico”.

Como animais que dependem de água conseguiam viver no ambiente desértico é algo que ainda precisa ser pesquisado, explica Paula. “Para conseguirmos compreender melhor esse grupo ainda vamos precisar de muito estudo e novos achados”, comenta.

O estudo é realizado por pesquisadores dos Estados Unidos e da Alemanha, além dos dois estudiosos brasileiros.

Paula comenta que a descoberta é importante para o estudo evolutivo. “Ela nos faz pensar em que momento surgiram as adaptações para se viver em um ambiente desértico. As teorias clássicas apontavam que só os amniotas tinham essa capacidade”, comenta.

“No entanto as pegadas encontradas podem ajudar a reconstruir essa história. Apesar de não resolvermos este problema, trouxemos novos elementos para essa discussão”, acrescenta.

O prosseguimento do estudo, comenta Paula, depende de financiamento de órgãos apoiadores de pesquisa. “Agora estamos vivendo momento difíceis”, desabafa, sobre os cortes anunciados pelo governo federal no setor.

As pesquisas que permitiram a descoberta das pegadas tiveram o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“No momento, estamos com projetos aqui no Brasil, mas que não contemplam a volta para os EUA”, diz Paula. “No momento não temos perspectiva [de retornar aos EUA]. Estamos vivendo momentos de contingenciamento”, diz.

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