Perfil de suspeito de matar brasileira dá detalhes sobre o crime

Na Nicarágua, o tipo de arma usado no assassinato está relacionado aos paramilitares que estão alinhados com o governo Ortega

Na última sexta-feira (27), a polícia da Nicarágua anunciou a prisão de Pierson Gutiérrez Solís, suspeito de ter matado a estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima. Desde então, foram divulgados informações e dados sobre ele, que foram investigados pela imprensa nicaraguense e podem ajudar a desvendar o crime.

Solís fez parte do Exército até 2009 e hoje atua como um segurança particular, segundo o jornal Confidencial. Ele também era professor de taekwondo e tinha conhecimento de outras artes marciais.

O ex-soldado prestava trabalhos de segurança para duas empresas estatais do ramo de petróleo, a Albanisa e Petronic (Empresa Nicaraguense de Petróleo). A sede da Albanisa fica a cerca de 500 metros do local onde Raynéia morreu.

A Albanisa não esclareceu se Solís ainda estava trabalhando na última segunda-feira (23), às 23h, quando o crime aconteceu.

Além disso, Solís fazia parte da Frente Sandinista, movimento que apoia o presidente Daniel Ortega. O suspeito já foi visto em diversas reuniões de apoiadores ao regime.

Harnet Lara Moraga, o namorado de Raynéia, que a socorreu e a levou para o hospital disse para os médicos que ele tinha visto três homens encapuzados no ataque. Os outros dois ainda não foram identificados pela polícia.

Moraga é considerado testemunha-chave nas investigações, pois estava no carro de trás. No entanto, ele não se pronuncia sobre o crime desde que saiu do hospital, na manhã da terça-feira (24).

A arma do crime é usada por paramilitares

Na última sexta-feira (27), a polícia já tinha identificado a arma do crime: uma carabina M-4. A arma é um tipo de fuzil, um pouco mais limitada que um AK-47. Ainda assim, é capaz de disparar 950 balas por minuto.

Os seguranças particulares da Nicarágua, como Solís, não têm permissão para usar esse tipo de armamento pesado.

Na crise de violência que se instalou na Nicarágua desde abril, esse tipo de arma tem sido usado pelos paramilitares que estão alinhados com o governo Ortega.

EUA condenam violência

Os Estados Unidos condenaram nesta segunda-feira (30), a “violência e violações de direitos humanos” cometidas pelo governo da Nicarágua em uma repressão a protestos, e disse que a responsabilidade pela instabilidade no país é de seus líderes.

“Os Estados Unidos condenam veementemente a violência e violações de direitos humanos em curso na Nicarágua cometidas pelo regime Ortega em resposta a protestos”, disse a Casa Branca em comunicado.

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