Missouri à beira de se tornar único Estado dos EUA sem clínica de aborto

A única clínica que realiza abortos no Missouri anunciou nesta terça-feira, 28, que provavelmente terá de interromper seus serviços ainda esta semana, já que o governo estadual se nega a renovar a licença de funcionamento. A decisão transformaria o Estado no único dos Estados Unidos em que não há acesso ao procedimento.

A organização Planned Parenthood, que opera a clínica em Saint Louis, abriu um processo contra o Missouri para tentar impedir que o espaço deixe de fazer as intervenções a partir desta sexta-feira, quando a autorização expira.

“Nesta semana, o Missouri vai ser o primeiro Estado do país a entrar na escuridão, sem um centro de saúde que forneça cuidados de aborto legal e seguro. Mais de um milhão de mulheres em idade reprodutiva no Missouri deixarão de ter acesso a um centro de saúde que forneça serviços de aborto no Estado onde elas vivem”, alertou a diretora da Planned Parenthood, Leana Wen, em entrevista coletiva.

A ginecologista da clínica, Colleen McNicholas, disse no mesmo evento que essa “é uma tentativa de intimidação de médicos vinda do mais alto nível do governo”.

De acordo com Colleen, o Departamento de Saúde do Missouri decidiu não renovar a licença da clínica depois de “uma investigação que parece não ter base” sobre possíveis deficiências no trabalho do estabelecimento.

No dia 20, o órgão notificou a Planned Parenthood em alguns pontos que poderiam influenciar na renovação da licença, de acordo com documentos aos quais a emissora CBS News teve acesso.

Dois dias depois, a rede de clínicas afirmou que iria tratar alguns desses temas, incluindo a solicitação de um exame pélvico extra às pacientes que buscam o procedimento.

A Planned Parenthood advertiu que um dos pontos estava fora do seu controle, já que, de acordo com a organização, o Departamento de Saúde havia anunciado que estava investigando “práticas deficientes” e precisava entrevistar sete médicos que trabalham na clínica.

O grupo informou que poderia auxiliar com entrevistas a dois funcionários, já que os demais não eram contratados pela Planned Parenthood e não queriam prestar depoimentos.

Na sexta-feira, o governador do Missouri, Mike Parson, sancionou uma lei sobre o aborto. De acordo com a nova norma, a interrupção da gravidez é proibida depois da oitava semana de gestação. / EFE

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