Jovem bailarino faz bazar para realizar sonho de dançar nos EUA

O estudante de balé Matheus Pimentel, de 16 anos, sonha grande: quer dançar na Broadway, palco dos famosos musicais. De família pobre e criado apenas pela mãe — o pai foi assassinado quando ele tinha cinco —, o jovem morador de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, deu o primeiro passo para realização de seu desejo quando foi aprovado nas audições para ter aulas em duas conceituadas escolas de dança de Miami e Nova Iorque, nos Estados Unidos. São cursos de curta duração, mas em pelo menos um deles tem chance de estender a permanência em solo americano, dependendo do seu desempenho.

As bolsas de estudo estão garantidas, mas ele ainda não tem como chegar lá. Falta o dinheiro para custear passagem, assim como alimentação e estadia. Para garantir a viagem o jovem organizou, neste fim de semana e com a ajuda da mãe, um bazar beneficente, onde estão sendo vendidos roupas, bijuterias, livros e utensílios domésticos, por preços a partir de R$ 1.

— O que sobrar vamos continuar vendendo no outro fim de semana — afirmou a garçonete Flávia Pimentel, de 46 anos, mãe de Matheus.

O espaço foi cedido pelos patrões dela, o casal Marcelo e Jaqueline Ribeiro, donos do Bistrô da Fazenda, no próprio estabelecimento localizado dentro de um condomínio na Taquara, também em Jacarepaguá. Eles estão oferecendo ainda um almoço para duas pessoas, para ser rifado com objetivo de arrecadar recursos para a viagem de Matheus. Os objetos à venda no bazar foram todos doados por moradores do condomínio, que também resolveram entrar na corrente para ajudar o jovem bailarino a realizar o seu sonho.

Uma vaquinha virtual (http://vaka.me/464102) também foi criada com a mesma finalidade. Mãe e filho correm contra o tempo, já que a primeira viagem para o curso promovido pelo Valentina Kozlova Dance Conservatory, em Nova Iorque, que seleciona jovens de várias partes do mundo, através de um concurso internacional, está programado para março. Em Miami, o rapaz participará de um programa de verão, em julho, sendo que o Miami City Ballet, onde ele está matriculado, costuma dar oportunidade de prosseguir nos estudos em terras americanas para os alunos que mais se destacam.

O jovem bailarino, que pretende fazer carreira em solo americano diz que vai agarrar essa oportunidade com unhas e dentes. Mas até lá precisa arrecadar o dinheiro da viagem. Os cerca de R$ 1 mil obtidos até agora com as vendas do bazar estão longe dos R$ 12 mil que sua mãe estima serem necessários para a viagem do filho ao encontro de sua realização.

— A dança para mim é a minha vida. Não me vejo fazendo outra coisa a não ser dançar. Não me sentiria feliz fazendo outra coisa. Sonho com Nova Iorque desde sempre, mesmo tendo uma situação financeira bem difícil. Por enquanto, conto só com a minha mãe. É ela quem tem me ajudado até aqui, inclusive dando estímulo para eu não desistir diante das dificuldades — diz o rapaz.

Corrente do bem

A corrente por Matheus tem sensibilizado também amigos do jovem como a médica Cássia Ferreira Domingues, de 26 anos, moradora da Taquara. Ela compareceu ao bazar neste domingo para fazer algumas doações, mas saiu de lá com alguns objetos que comprou, como um short, um livro e bituterias. Os dois se conheceram quando a moça procurou um dançarinho para participar de um vídeoclip que ela produziu no final do ano passado.

— É importante ajudar. Matheus dança muito. É um negócio de louco. É triste saber que no Brasil ele não terá oportunidade. Então, se ele tem condições de crescer profissionalmente lá fora toda forma de ajuda é válida.

A professora de balé Alice Arja foi uma das primeiras a reconhecer o talento do rapaz, que desde os oito anos estuda na escola de dança que leva o nome dela, na Taquara, com bolsa integral. Ela também tem tentado ajudar o pupilo a realizar seu sonho como pode, já tendo inclusive se comprometido a bancar as despesas com passaporte e oferecida assessoria jurídica para obtenção do visto de permanência em solo americano.

— É a definição da vida dele. Se for bem sucedido num dos dois cursos fatalmente não volta mais. Vai ficar por lá, se Deus quiser. A gente está correndo contra o tempo.

Matheus, começou a dançar desde os três anos, sendo que a partir dos oito passou a se dedicar mais seriamente aos estudos da dança clássica e contemporânea. O estudante, matriculado no 1º ano do ensino médio numa escola pública de Jacarepaguá, concilia a dança com aulas de inglês e teatro. Mas, pretende também se dedicar ao canto, para se preparar para o sonho de brilhar nos palcos da Broadway. Só não fez isso ainda por falta de dinheiro.

— As aulas de canto e teatro não saem por menos de R$ 800, por mês. É muito para mim — lamenta o jovem, que vive também com uma irmã de três anos, fruto de outro relacionamento da mãe, e o avô materno.

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