EUA revogam visto de procuradora que investiga crimes de guerra no Afeganistão

Os Estados Unidos revogaram o visto da procuradora-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, de nacionalidade gambiana, anunciou o escritório da autoridade na sexta-feira. A decisão é vista como uma reação de Washington à investigação de Bensouda sobre possíveis crimes de guerra de soldados americanos no Afeganistão.

Em comunicado, a procuradora-geral informou que continuará a realizar seu trabalho “sem medo ou favoritismo”, apesar da revogação de seu visto.

Bensouda anunciou em novembro de 2017 que procurava iniciar uma investigação formal sobre os supostos crimes de guerra cometidos no Afeganistão, inclusive os potencialmente cometidos por militares dos Estados Unidos.

Como apontou a rede britânica BBC, um relatório de 2016 do tribunal identificou base razoável para se acreditar que militares americanos cometeram tortura em locais secretos de detenção no Afeganistão, geridos pela agência de inteligência dos EUA, a CIA. O TPI também indicou que o governo afegão e o grupo extremista Talibã cometeram crimes de guerra.

Washington fez todo o possível para impedir que os americanos fossem objeto de investigação do tribunal. O governo de Donald Trump levou ao máximo a desconfiança na instituição.

O Departamento de Estado americano já havia alertado que o país poderia negar ou revogar vistos de autoridades do TPI que se engajassem em apurações do tipo. Em meados de março, os Estados Unidos anunciaram suas primeiras sanções contra o TPI. Na ocasião, anunciaram que negariam vistos a qualquer envolvido em investigações de crime de guerra, no Afeganistão e em outros países.

— Se você é responsável pela investigação do TPI sobre a conexão de pessoal dos Estados Unidos com a situação no Afeganistão, você não deve supor que você ainda tenha visto ou vá receber visto, ou que vá ser autorizado a entrar nos Estados Unidos — ressaltou o secretário de Estado, Mike Pompeo. — Nós estamos preparados para tomar medidas adicionais, incluindo sanções econômicas, caso o TPI não mude seu direcionamento.

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