EUA começam a julgar ‘El Chapo’, de traficante mais procurado do mundo a troféu atrás das grades

Após infância pobre, Joaquín Guzmán começou a vender drogas aos 15 anos e fundou em 1989 o cartel de Sinaloa, chegando a entrar na lista de bilionários da revista Forbes. Em julgamento que começa nesta segunda, ele pode ser condenado à prisão perpétua.

O chefe do tráfico mexicano, Joaquin “El Chapo” Guzmán, durante anos o homem mais procurado pelos Estados Unidos, vive o seu pior pesadelo atrás das grades: será julgado a partir desta segunda-feira (5) em um tribunal federal do Brooklyn e pode ser sentenciado à prisão perpétua.

Preso há quase dois anos em Nova York, “El Chapo” é considerado o maior traficante do mundo depois da morte do colombiano Pablo Escobar.

Durante o julgamento, que se estenderá durante mais de quatro meses, o júri deve decidir se “El Chapo”, de 61 anos, é culpado ou não de 11 crimes de tráfico e distribuição de drogas, posse de armas e lavagem de dinheiro.

Nesta segunda, o juiz do Brooklyn Brian Cogan e advogados de ambos os lados escolherão a portas fechadas, os 12 jurados que decidirão o seu destino. Mais de mil pessoas receberam em casa um questionário com mais de 120 perguntas e 40 foram pré-selecionadas.

Os nomes dos escolhidos não serão revelados e eles serão escoltados até o tribunal por xerifes todos os dias.

Depois da escolha dos jurados, as testemunhas começarão a depor. O advogado de “El Chapo”, Jeffrey Lichtman, disse à agência France Presse que o monumental julgamento terá “centenas de testemunhas”. Mas quase ninguém sabe, nem mesmo os advogados de “El Chapo”, quem testemunharão contra ele.

Heroy estima que o processo custará “mais de 50 milhões de dólares”. “Apresenta-se como o julgamento mais caro da história dos Estados Unidos”, disse.

A Promotoria, que prepara o caso há anos, assegura que “El Chapo” enviou aos EUA ao menos 154.626 quilos de cocaína, além de várias toneladas de outras drogas, embolsando US$ 14 bilhões.

“El Chapo” se declara inocente, mas o governo apresentou muitas evidências contra ele, tantas que a defesa diz não ter tempo de revisar: mais de 300 mil páginas de documentos e ao menos 117 mil gravações de áudio, além de centenas de fotos e vídeos.

“El Chapo” está preso praticamente em total isolamento. Não pode ver sua esposa, Emma Coronel, nem nenhum parente, exceto suas filhas gêmeas de 7 anos, e somente através de um vidro.

Com o cabelo raspado, sem bigode e usando um traje de presidiário azul, “El Chapo” perdeu muito de sua aura de implacável chefe do tráfico, e aguarda seu julgamento “tão esperançoso quanto pode estar”, segundo seu advogado Jeffrey Lichtman.

O acusado perdeu peso e assegura ter problemas de saúde. Em sua única comunicação direta com o juiz Brian Cogan, em uma carta enviada em fevereiro, disse que sofre “muitas dores de cabeça todos os dias. Vomito quase todos os dias. Não consertei dois dentes e me doem muito”.

“Se não está muito frio, faz calor demais” na cela, escreveu o acusado de traficar mais de 155 toneladas de cocaína aos Estados Unidos, além de muitas toneladas de heroína, metanfetamina e maconha ao longo de 25 anos. “É uma tortura de 24 horas a cada dia”.

Joaquín Archivaldo Guzmán Loera nasceu em 4 de abril de 1957 em uma família humilde em La Tuna, pequeno povoado rural de Badiraguato, no pobre e violento estado de Sinaloa. O apelido “El Chapo” significa “o baixinho”, em português.

Em um encontro clandestino em outubro de 2015, contou ao ator americano Sean Penn que, quando criança, vendia laranjas, refrigerantes e doces para ajudar sua família, que era “muito pobre”.

Mas devido à “falta de oportunidades”, aos 15 anos já cultivava e vendia maconha e papoula, um negócio que florescia em seu povoado agrícola.

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