Arte em parque de NY homenageia 11 milhões de imigrantes ilegais

Uma obra de arte exposta no parque suspenso High Line, um dos destinos turísticos mais visitados na cidade de Nova York, presta uma homenagem à presença dos cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos Estados Unidos atualmente.

Os milhares de visitantes do parque, que foi criado sobre uma linha de trem abandonada com 2,4 quilômetros de extensão, poderão ver até março de 2019 um grande letreiro de luzes neon com a mensagem “Somos 11 milhões”, tanto em espanhol como em inglês, criado pela artista e ativista Andrea Bowers, radicada em Los Angeles.

“Somos 11 milhões” faz parte do Agora Project, que reúne obras de nove artistas no parque localizado em Manhattan, que destina uma parte do espaço público para a exposição de obras de arte. “Agora” vem de ágora, uma palavra grega usada antigamente nas cidades-estado como Atenas para designar o espaço público onde os cidadãos costumavam se reunir e também considerado o centro da vida artística, política, comercial e espiritual.

Através das obras, os artistas compartilham as mais diversas experiências e abordam temas como os direitos das mulheres, detenções em massa, meio ambiente e imigração. Essa instalação é uma continuação do trabalho feito por Andrea Bowers em apoio aos “dreamers” (“sonhadores”), como são conhecidos os cerca de 690 mil jovens imigrantes ilegais que chegaram ao país quando ainda eram crianças.

A exibição analisa o poder da arte para mudar a sociedade, o papel que desempenha em espaços públicos e se a arte pode ser vista como uma forma de protesto. Bowers, que viveu no México durante a infância, disse que sua obra é um pedido de respeito para os direitos dos imigrantes ilegais.

Ela solicitou ao grupo pró-imigração Movimento Colheita, com sede em Nova Jersey, a criação do slogan para o projeto em apoio aos imigrantes ilegais. Foi assim que surgiu o “Somos 11 Milhões”.

“É importante que tenhamos uma arte como essa no High Line. ‘Somos 11 milhões’ foi o tema de uma das nossas campanhas” em apoio aos imigrantes, disse Lucía Allain, porta-voz do Movimento Colheita. Segundo ela, o objetivo principal da iniciativa era promover a “inclusão”, de modo que os imigrantes se sintam identificados ao verem de perto a obra de arte exposta.

Allain acrescentou que, geralmente, os veículos de imprensa falam mais dos sonhadores “ou das campanhas a favor de reunir as famílias separadas sob o novo governo do presidente Donald Trump, mas não dos trabalhadores da construção, das babás e as empregadas domésticas, entre outros em diversos empregos exercidos pelos imigrantes ilegais.

“Há campanhas incríveis (a favor dos imigrantes), mas há imigrantes que não se identificam com elas, como as de reunir famílias, porque há muitos que vieram sozinhos. O povo relaciona a imigração com os sonhadores, porém se esquecem que há outras pessoas por trás, das quais não se fala na mídia”, analisou.

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