Prisão de brasileiro gera protesto em Beverly (MA)

Quando ela ouviu o que aconteceu com Fabiano de Oliveira, um brasileiro detido pelas autoridades de imigração depois de tentar buscar residência legal, Liz Bradt se sentiu obrigada a agir. Pela primeira vez em sua vida, ela organizou um protesto.

“Sim, a história estava me incomodando”, disse. “Ele tentou iniciar os procedimentos para se tornar legal e, de repente, foi algemado. Tenho medo de que aconteça o desencadeante de racismo no nível executivo esteja se filtrando em Beverly e prejudicando as famílias, acabando com pessoas sendo deportadas. Isso é uma grande preocupação”.

Oliveira, de 33 anos, foi detido pelos agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) no mês passado durante uma entrevista de casamento com sua esposa, Karah, uma nativa de Beverly, no escritório dos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS,sigla em inglês), em Lawrence. A entrevista foi um passo inicial para a procura de residência legal e validação de seu casamento de dois anos.

Como o escritório de imigração estava fechado domingo, dia 04, os manifestantes ficaram perto da instalação de Burlington, na intersecção da Mall Street e da District Avenue. Vários residentes de Salem e alguns de Woburn e Rockport apresentaram faixas e cartazes que diziam “Free Fabiano de Oliveira” e ” Fighting for You”.

Oliveira trabalhava em Beverly como pintor. Ele entrou ilegalmente nos EUA depois de deixar o Brasil, em 2005, instalando-se na cidade, onde conheceu Karah, em 2010. Eles têm um filho de cinco anos de idade e moram na casa onde a esposa passou a infância.

O advogado de Oliveira, Jeff Rubin, da Rubin and Pomerlau em Boston, disse que a entrevista é uma rotina para alguém que tenta garantir um Green Card. Além disso, ele ressaltou que o ICE não tinha motivos para prender o seu cliente naquele dia.

Rubin afirmou que está trabalhando com o Ministério Público dos EUA para garantir a liberação de Oliveira.

Luta de imigrantes

“Eu não conheço ele, mas eu, tanto quanto outras pessoas estamos preocupadas”, disse Bradt. “Ele é casado com uma cidadã americana e essa é uma rota legal para um Green Card”.

Bradt, uma veterinária do All Creatures Veterinary Hospita em Salem, levou suas frustrações ao Facebook. A atividade estimulada por sua publicação a levou a organizar um protesto em defesa de Oliveira.

Ela entregou folhetos, compartilhou a história e postou em várias páginas em comunidades no Facebook. “Eu nunca organizei nada assim”, disse ela.

Laura Dike, colega de quarto da faculdade de Bradt, está planejando outro protesto para sábado, 9 de fevereiro, às 9h, no mesmo cruzamento.

A manifestante Jane Dwyer, de Salem, disse que ficou inspirada a se juntar ao protesto por sua aversão ao presidente Donald Trump e à sua administração, bem como uma preocupação geral com a direção do país.

“Não entendo como alguém não pode apreciar as lutas dos imigrantes”, disse Dwyer.

Amy Cardoso, de Woburn, disse que ela e seu marido, também do Brasil, enfrentaram desafios semelhantes nos quatro anos em que lutaram por sua cidadania. Desde então, Cardoso disse que ela atua na comunidade imigrante de Boston e está tentando aprovar o Safe Community Act, o que impedirá a polícia de deter uma pessoa exclusivamente para fins federais de aplicação das leis de imigração.

“Ninguém deveria ter que passar pelo que passamos”, disse Cardoso. “Mas se pudermos superar isso, temos que ajudar outras pessoas presas na mesma situação em que estávamos”.

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