Negro e ex-aluno de escola pública, brasileiro se forma em Harvard e dedica diploma ao pai, morto em acidente

“A escola onde eu estudava colocava 45 alunos em uma sala de aula sem ar-condicionado, com mesa quebrada. Muitos colegas não sabiam ler.” É assim que Arthur Abrantes, hoje com 25 anos, descreve o colégio estadual em que fez o ensino fundamental II, em Paracatu, município com menos de 100 mil habitantes em Minas Gerais. “Não passava pela minha cabeça que um dia eu faria faculdade”, conta.
Dez anos depois, em 2022, o jovem postou nas redes sociais fotos recebendo o diploma em ciências da computação da Universidade Harvard, Massachusetts, considerada uma das 10 melhores do mundo.
Na legenda, escreveu: “Eu dedico esta conquista ao meu pai, que não teve as mesmas oportunidades que eu, mas que abriu o caminho para mim. Obrigada, pai! Sinto sua falta.”
Wariston Abrantes faleceu em 2018, em um acidente de carro, quando Arthur estava no segundo ano da graduação.
“Ele era mecânico, começou a trabalhar muito cedo e só fez até a quarta série. Acho que ele teria ficado muito orgulhoso de mim.”
No ensino médio, Arthur foi aprovado no processo seletivo para entrar no Instituto Federal Triângulo Mineiro. “Minha rotina passou a ficar muito mais puxada. Acordava às 5h30 e voltava para casa às 17h30”, diz. “Foi quando comecei a ouvir falar de fazer faculdade. Pensei: ‘caraca, será que isso é para mim também?’”.
Aos poucos, o aluno já estava sonhando em estudar fora do Brasil. Sem conhecimentos de inglês, baixou aplicativos de línguas, viu filmes com legendas no idioma original e ouviu podcasts estrangeiros.
“Recomendaram que eu agisse como se minha vida dependesse daquilo. Foi o que fiz. Pratiquei [conversação] todos os dias”, conta. Em 2015, ainda participou do programa “Jovens Embaixadores”, que seleciona anualmente 50 estudantes de escolas públicas para passarem três semanas nos EUA. “Fui me tornando fluente.”
Arthur nem chegou a se inscrever para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – preferiu se candidatar a 12 universidades americanas. “Foi um processo intenso. Escrevi de 2 a 3 redações para cada uma.

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