Filho de faxineira é aprovado em nove universidades dos EUA

Um brasileiro, morador de Pernambuco e estudante de escola pública, foi aprovado em não uma ou duas, mas nove universidades dos Estados Unidos. Filho de faxineira, Fred Ramon dos Santos, de 20 anos, escolheu a Whithier College, na Califórnia, onde vai estudar Ciência da Computação e Estudos Globais.

Fred conta que o que pesou mais na difícil e grande variedade de escolhas foi o valor da bolsa de estudos. “Escolhi a Whittier College porque foi a faculdade que me deu a maior bolsa de estudos”, contou.

O jovem, que terminou o Ensino Médio em 2018, conseguiu vaga na Temple University, localizada na Pensilvânia; na ASU e na University of Arizona, no Arizona; Florida Tech e na Stetson University, que ficam na Flórida; na Manhattanville College e na Adelphi University, em Nova York; também na University of La Verne e na Whittier College, ambas na Califórnia.

Para conseguir tantas aprovações, Fred focou em estudar para o vestibular americano e alcançar as médias nas provas de inglês, e o jovem conseguiu. Dos 160 pontos totais da prova, ele conseguiu 105, sendo que precisava de no mínimo 95 pontos para ser aprovado.

Já que a mãe tem poucos recursos financeiros, o jovem conseguiu aprender inglês em cursos gratuitos, além de aperfeiçoar o idioma ouvindo músicas pop e também quando trabalhou como professor de dança em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Também para ganhar um dinheiro extra, Fred começou a dar aula de inglês em plataformas digitais durante a pandemia.

Outro ponto que garantiu as vagas ao estudante foi fazer parte de projetos extracurriculares, como programas de voluntariado. “As universidades estadunidenses dão muito valor ao que você é fora das aulas. Por isso, desde os 16 anos, participo de movimentos sociais. As seleções levam esses trabalhos muito em consideração”, explicou.

A ida a Los Angeles, segundo ele, pode ajudar futuramente quando abrir programas de capacitação para outros jovens de comunidades pobres de Pernambuco, de onde ele é.

“Em Los Angeles, posso pôr em prática um projeto de articulações com órgãos americanos que se abrem para levar programas de capacitação e financiamento para pequenos e médios negócios para famílias desempregadas em comunidades de baixa renda em Pernambuco e no Nordeste.”, adicionou.

“Eu quero buscar opções para os jovens. Mostrar que é possível se erguer. Os estudantes hoje mandam cem currículos e não são chamados. Não têm emprego. Precisamos mudar essa realidade com oportunidades”, disse Fred.

Fred ainda precisa aguardar resposta do fundo de investimentos para estudantes estrangeiros, para saber se conseguirá custear a parte da mensalidade que a bolsa de 70% não cobre. O valor gira em torno de 31 mil dólares (ou cerca de R$ 158 mil). Fonte: O São Gonçalo

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