Cirurgiões brasileiros que vivem nos EUA ajudam a salvar vidas

Cirurgiões brasileiros que atuam nos Estados Unidos fizeram um intercâmbio com médicos no Rio de Janeiro para aperfeiçoar as técnicas do chamado transplante multivisceral. A troca de vários órgãos do sistema digestivo tem salvado vidas.

Um exemplo de quem precisava deste tipo de transplante é o pequeno Samuel, que hoje sorri muito. Imagina para os pais dele que lutaram muito para ver o filho assim: cheio de vida. “Quando ele nasceu os médicos não deram seis meses. Chegou 1 ano, chegou 2, chegou 3. Eu falei, não, o transplante vai realmente acontecer. Deus quer isso”, contou Joseli Alves dos Santos, mãe de Samuel.

Samuel nasceu com uma síndrome rara, que causa problemas no intestino, no estômago. Todo o aparelho digestivo dele e a bexiga não funcionavam. A única chance de o Samuel sobreviver era passar por uma cirurgia extremamente complexa – o chamado transplante multivisceral. Uma operação para substituir vários órgãos do sistema gastrointestinal ao mesmo tempo.

No caso do Samuel, ele precisava de vários órgãos novos: pâncreas, estômago, fígado, o intestino grosso e o intestino delgado. Samuel se alimentava por sonda e não podia nem ir ao banheiro.

O transplante multivisceral ainda não é tão comum no Brasil. Poucos hospitais oferecem a técnica. Samuel chegou a entrar na fila dos transplantes e esperou por três anos.

“Só que aí também o problema de que doação de órgãos de criança não acontece muito no Brasil. Como o caso do Samuel era muito urgente, então, eles viram que realmente teria que vir para cá porque realmente aqui ia acontecer mais rápido”, contou a mãe.

Em 2019, a família foi para Miami, Flórida, depois que a Justiça determinou que o transplante fosse pago pelo governo brasileiro. E, em julho de 2020, Samuel passou pelo transplante multivisceral numa cirurgia de oito horas.

“Sempre digo que a cirurgia é 15% do que a gente faz, 85%, 90% é o cuidado daquele paciente. Você não quer fazer o transplante para que aquela pessoa esteja viva dali a seis meses, você quer fazer o transplante para que aquela criança vá para a faculdade”, disse o médico.

O cirurgião também é diretor do instituto, uma parceria da Universidade de Miami e do Jackson Memorial Hospital que, nos últimos dois anos, se tornou o maior centro de transplantes dos Estados Unidos. Rodrigo Viana esteve no Brasil para um intercâmbio com médicos da Rede D’Or.

“O Brasil tem um sistema enorme de distribuição de órgãos e não é só aí. São várias coisas que o Brasil pode desenvolver. Quanto mais a gente puder incentivar essas pessoas, mostrar o exemplo do que pode ser feito, eu acho que é muito gratificante”.

Samuel mostra isso todo dia, nos seus cinco anos de vida e nos gestos mais simples. “Deu não só ao Samuel uma segunda chance de vida, mas à família inteira. Ver o Samuel como ele está hoje, comer qualquer coisa que ele quiser, é uma emoção que não cabe no peito”, comentou o pai, José Gomes Soares.

E olha que a luta dele não acabou. Ainda precisa de um transplante de rim. Mas o sorriso do Samuel é daqueles de encher a gente de esperança. “O Samuel é muito forte. Ele vem mostrando isso para a gente. Pelo transplante de cinco órgãos que ele já passou, um transplante de rins não vai ser nada. Uma vida inteira pela frente. Hoje é outro Samuel, não é, meu amor?”, disse a mãe.

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