Brasileiros lucram com imóveis no exterior

Compra e copropriedade em hotéis ou centros comerciais atraem os investidores nacionais devido à alta taxa de retorno. Aportes subiram em uma década e chegam a US$ 6,2 bilhões

Ganhar em dólar ou euro para gastar em real. De olho nessa oportunidade e com a economia do país ainda mal das pernas, brasileiros apostam em investimentos imobiliários no exterior para garantir rentabilidade em moeda forte.

O capital brasileiro aplicado em imóveis em outros países cresceu 238% na última década e saltou de US$ 1,8 bilhão US$ 6,2 bilhões, de acordo com dados do Banco Central. As modalidades vão desde a compra de imóveis à copropriedade em empreendimentos hoteleiros e comerciais, segmento que chama a atenção por demandar aportes menores, a partir de US$ 100 mil.

Mais de um terço desses investimentos (34,4%) se concentra nos Estados Unidos, que conta com US$ 2,1 bilhões de capital brasileiro em residências, estabelecimentos comerciais e lotes. Mas o destaque vai para Portugal, que ocupa o segundo lugar no ranking, com 17% do total. O país europeu teve crescimento contundente nesse período e saltou de US$ 116 milhões em 2008 para US$ 1 bilhão em 2017, montante quase 10 vezes maior. França e Itália ficam com o terceiro e quarto lugares, respectivamente.

O nicho cresce nas capitais e no interior do país. A convite de uma imobiliária, uma consultoria especializada em investimento internacional em imóveis para rendimento vai a Montes Claros, no Norte de Minas, dia 22, apresentar oportunidades de negócios a interessados. “Devido ao momento de instabilidade, clientes buscam segurança patrimonial. Você fica com o patrimônio protegido em outro país, rentabiliza o recurso e recebe os dividendos em euro ou dólar”, afirma o diretor da imobiliária Jair Amintas, de Montes Claros, Rafael Pereira.

O coordenador do MBA em mercado imobiliário da Fundação Dom Cabral, Ariano Cavalcanti, presidente da rede de corretoras Netimóveis do Brasil, afirma que a necessidade de grandes aportes para aderir a esse tipo de aplicação é um mito. “Temos todos os perfis. Há imóveis residenciais na faixa de US$ 150 mil, voltados para a classe média estadunidense, que tem rendido até melhor rentabilidade”, diz.

Enquanto o mercado imobiliário brasileiro tem rendido em torno de 0,4%, nos EUA o desempenho tem sido o dobro, em torno de 1%, sem descontados os tributos. A estratégia tem sido adotada como forma de proteção patrimonial, com a diversificação de investimentos. “A rentabilidade é maior do que o Brasil e a vantagem é de ter a renda em dólar. Se o dólar subir, também ganha, porque a indexização é em dólar”, afirma Cavalcanti.

DESPESAS

Apesar da boa rentabilidade, é preciso pesar outros fatores. “Não é fácil administrar um imóvel de longe, além de ter que arcar com as despesas de restauração, manutenção. Tudo isso à distância fica mais difícil”, afirma. Nesse movimento, ele observa grande procura por imóveis em Portugal. “Clientes falam de um desejo de mudar para lá depois de um tempo”, comenta.

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