Brasileiras relatam tensão com protestos nos EUA

Brasileiras que moravam na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, e agora vivem nos Estados Unidos, relatam o clima tenso durante protestos antirracistas que acontecem no país após a morte de George Floyd. De acordo com elas, o caso de violência policial contra o ex-segurança evidenciou um problema que é claro no país norte-americano.
Para a advogada Angélica Sciencio, de 45 anos, que mora há 25 anos no país, o racismo nos Estados Unidos é institucional. Moradora de Portland, ela relata que a violência policial é algo que sempre foi pauta na comunidade negra, mas nunca foi encarada com seriedade. “Os brancos rejeitam a palavra racismo e não admitem o privilégio por ser branco, mas não sentem o que uma pessoa negra passa, por isso não entendem”, explica.
Angélica relata que mesmo sendo filha de um homem negro, imigrante em um país norte-americano, nunca sentiu o que uma pessoa negra nativa sente com o racismo enraizado. “Mesmo sendo de outro país, o que acontece com os negros é diferente, eles não tem oportunidades básicas”, comenta. A advogada ainda cita que há diversos casos como o de George Floyd que ganharam notoriedade.
“As histórias [de violência policial] que são contadas há muitos anos agora são registradas. As pessoas estão acreditando porque podem ver com os próprios olhos. Elas estão abismadas e, agora, dão suporte porque estão vendo que realmente existe esse racismo. Não é o caso de um policial ou dois serem racistas, e sim de um sistema racista”, declara a advogada.
Envolvida em movimentos de inclusão e diversidade, Angélica explica que a violência policial é presente, e muitas vezes endossada por líderes políticos. “Se o governo gosta desse posicionamento, é assim que a maioria dos policiais vão agir. É uma questão muito antiga na sociedade”, comenta a advogada, que ressalta que apesar de minoria no país, a população negra é a que mais sofre com esta violência.
Angélica participou de uma passeata pacífica na cidade em que mora, com cerca de 10 mil participantes. Ela relata que, apesar de movimentos pacíficos, há vandalismo em alguns protestos, mas diz que são minoria se comparados. “Não sei se eu esperava uma comoção tão grande, mas estou contente que as pessoas estão se informando mais e descobrindo que isso é um problema real”, finaliza.
Segundo a auxiliar administrativa Erica dos Santos Silva, de 23 anos, que mora no subúrbio de Nova York, os protestos pararam a cidade desde a morte de George Floyd. “O racismo aqui é extremamente forte e triste”, comenta a brasileira em entrevista ao G1. Ela conta que o primeiro protesto que viu foi na segunda-feira (1º), e relata que não tinha noção da proporção da manifestação.
“Fiquei parada no meio do protesto, parecia um formigueiro”, relembra a jovem. Erica conta que as manifestações que presenciou tinham muitas pessoas, e relata que cerca de 90% usavam máscaras como forma de se proteger em meio a pandemia. Apesar de concordar com os protestos, a jovem reitera que não concorda com o vandalismo que presenciou na primeira vez que aconteceu na cidade.
A auxiliar relata que o racismo é algo presente no país e, apesar de não existir placas dividindo espaços, há um consenso de quais são as áreas para pessoas brancas e negras. A jovem ainda relembra casos de discriminação que presenciou.
“Tem área dos brancos e área dos negros, é bem nítido. Quando você está em uma área branca e você entra, tem um segurança olhando de uma forma diferente. Eu já vi um segurança expulsando uma pessoa negra que não estava fazendo nada, expulsou simplesmente por estar em uma área branca”, lamenta Érica.
Segundo a au pair Taissa Vieira de Morais, de 25 anos, a comoção é algo positivo. “As pessoas estão com raiva e com motivo”, relata a jovem. Ela conta que o racismo é muito presente no país, e afirma que já observou acontecer próximo a ela diversas vezes.
Ela conta que os protestos começaram de maneira mais tensa, e a cidade teve toques de recolher. “Quando começou [onda de manifestações] a cidade estava um caos e tivemos toque de recolher das 20h até 6h. Começaram como protestos pacíficos, mas sempre tem uma minoria que aparece para destruir patrimônio público”, comenta.
A au pair ainda relata que nos protestos manifestantes usavam máscaras e até mesmo luvas, como forma de proteção em meio a pandemia do novo coronavírus. (fonte: G1)
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