Presidente do Supremo dos EUA rebate críticas de Trump

O presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts, defendeu nesta quarta-feira (21) a independência do judiciário federal após o presidente Donald Trump criticar um juiz que tomou decisão que contrariou a Casa Branca. Trump havia dito que o magistrado era “juiz de Obama”.

“Não temos juízes de Obama ou juízes de Trump, de Bush ou de Clinton”, disse Roberts, um conservador nomeado ao cargo pelo ex-presidente George W. Bush, em comunicado da Suprema Corte.

A declaração de Roberts representa sua primeira resposta pública sobre as críticas regulares persistente do presidente aos tribunais federais. Adversários de Trump chamaram suas críticas aos juízes de ataques à lei nos Estados Unidos.

Na terça-feira, um magistrado federal da Califórnia suspendeu um decreto presidencial que ordenava a rejeição automática de qualquer pedido de refúgio de imigrante que tivesse entrado ilegalmente no território nacional.

“É uma vergonha”, reagiu Trump. “É um juiz pró-Obama e não voltará a acontecer”, alertou, denunciando um tribunal que, segundo ele, tende a decidir em favor de seus opositores políticos.

Em resposta à declaração de Trump, Roberts também disse “o que temos é um grupo extraordinário de juízes dedicados que fazem o seu melhor para tratar com igualdade os que se apresentam diante deles”.

“Um judiciário independente é algo a que todos deveríamos ser gratos”, acrescentou Roberts, embora seu comunicado não mencionasse diretamente Trump.

No Twitter, Trump respondeu: “Desculpe, presidente John Roberts, mas temos sim ‘juízes de Obama’ e eles têm um ponto de vista bem diferente dos que têm como responsabilidade a segurança do nosso país”.

Não é comum para um presidente da Suprema Corte do país, com nove membros, responder a um presidente. A Constituição dos Estados Unidos estabelece que o judiciário federal é um dos poderes equivalentes do governo, com o Executivo e o Legislativo sendo os demais poderes que integram o chamado sistema de pesos e contrapesos do poder. Os presidentes indicam os membros da Suprema Corte, que são confirmados pelo Senado.

Ilya Somin, professor de Direito na Universidade George Mason, no estado da Virgínia, disse que a resposta rara e direta de Roberts a Trump “envia um sinal de que Trump passou do ponto do discurso político responsável”.

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