Prefeito de NY, grande apoiador de imigrantes, anuncia pré-candidatura à presidência dos EUA

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou nesta quinta-feira (16) sua pré-candidatura à eleição presidencial dos Estados Unidos em 2020, tornando-se o 23º democrata que espera derrotar Donald Trump.

“É preciso deter Donald Trump. Eu sou Bill de Blasio e estou concorrendo à presidência porque é hora de colocar os trabalhadores em primeiro lugar”, disse o prefeito de 58 anos em um vídeo de três minutos postado no YouTube.

No vídeo, De Blasio menciona as políticas implementadas em sua cidade americana para favorecer as “famílias trabalhadoras” desde que iniciou seu mandato em janeiro de 2014.

Eleito com a promessa de reduzir as desigualdades após 12 anos de governo do bilionário Michael Bloomberg, Bill de Blasio é um dos aspirantes presidenciais com posturas mais à esquerda, como as do também pré-candidato Bernie Sanders.

“O pior prefeito do mundo (Bill de Blasio) é uma PIADA”, tuitou o presidente Trump, que deve chegar a Nova York nesta quinta-feira, em sua primeira visita em muitos meses à sua cidade natal.

“Mas se vocês gostam de impostos elevados & crime, ele é o cara. NYC O ODEIA!”, tuitou mais uma vez.

A resposta do democrata veio durante o programa “Buenos Días América”, da rede ABC. “Eu o chamo de ‘Don, o golpista’. Todos os nova-iorquinos sabem que é um golpista”, mas “eu sei como enfrentá-lo”, garantiu.

Ainda que o cargo de prefeito de Nova York seja “o segundo mais difícil” dos Estados Unidos – atrás do de presidente -, Bill de Blasio parece ser o único, até o momento, a acreditar em suas chances.

Até agora, as pesquisas lhe são desfavoráveis, e os jornais nova-iorquinos, muito críticos a seu governo, tentaram, em vão, dissuadi-lo de sua decisão de apresentar a pré-candidatura.

A última enquete em que apareceu, publicada no início de abril pela Universidade Quinnipiac, indicava que, mesmo entre os nova-iorquinos, 76% dos eleitores não gostariam de vê-lo na briga pela indicação democrata, contra apenas 18% favoráveis.

Casado com uma mulher negra e pai de dois filhos, é popular entre a comunidade negra. O eleitorado hispânico está dividido a seu respeito, enquanto os brancos são majoritariamente críticos a seu mandato, acrescenta a sondagem.

Para analistas, suas ambições presidenciais podem ter como meta, contudo, manter-se relevante na cúpula e na agenda do partido – mesmo que seja derrotado.

Com posições mais próximas às de Bernie Sanders do que de Hillary Clinton durante a campanha 2016, Bill de Blasio introduziu em Nova York a pré-escola gratuita para todos, elevou o salário mínimo para US$ 15 por hora e anunciou uma cobertura universal da saúde, que inclui entre seus beneficiários até mesmo imigrantes em situação ilegal.

Frente às inúmeras detenções de migrantes em situação irregular por parte do governo Trump, ele multiplicou as medidas a favor desse grupo, reivindicando a imagem de cidade mundial de Nova York.

Recentemente, endossou um pacote de leis municipais diante da mudança climática.

Na segunda-feira (13), como prelúdio de sua campanha, foi promover o pacote de leis no lobby da Trump Tower, sede da Trump Organization e arranha-céu citado entre os mais poluentes da cidade.

Para se distinguir dos outros 22 pré-candidatos democratas, Bill de Blasio se orgulha, em seu vídeo, de ter feito da primeira metrópole americana “a mais segura grande cidade dos Estados Unidos”, com um declínio contínuo no número de homicídios durante sua gestão.

Assim como em sua campanha à prefeitura, seu principal lema é a redução das desigualdades, mas ele ainda não conseguiu avançar em uma de suas mais importantes promessas eleitorais: moradia acessível para todos. A cidade registra um recorde de 63.000 pessoas vivendo nas ruas, ou em abrigos.

“Há muito dinheiro no mundo. Há muito dinheiro neste país, apenas está nas mãos erradas”, disse o democrata no vídeo, uma frase que repetiu várias vezes em Nova York.

O prefeito enfrentará uma mídia feroz contra ele, que denuncia a falta de resultados tangíveis face à pobreza, sua falta de carisma, suas idas diárias ao Brooklyn para fazer academia, ou ainda suas brigas com o governador democrata do estado, Andrew Cuomo.

Nesse contexto, vários de seus colaboradores confessaram ser contra sua candidatura. Bill de Blasio gosta de lembrar, contudo, que ninguém acreditava em suas chances como prefeito em 2013, quando não passava de um vereador pouco conhecido.

“Eu costumava ser o último nas pesquisas quando apresentei minha candidatura à prefeitura”, disse ele no final de janeiro. “Não é como você começa a corrida (que conta), é como você termina”, completou.

Por enquanto, os favoritos na disputa democrata são o ex-vice-presidente Joe Biden e o senador Bernie Sanders.

“A pesquisa que conta é a eleição”, minimizou De Blasio.

A convenção democrata começa em 13 de julho, em Milwaukee, no estado de Wisconsin.

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