México deporta migrantes por forçarem entrada nos EUA

O governo do México deportou 98 migrantes centro-americanos que foram detidos após a fracassada tentativa de cruzar a fronteira até os Estados Unidos. Cerca de 500 deles foram repelidos pelos agentes americanos com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

“98 pessoas foram colocadas à disposição do Instituto Nacional de Migração (INM) e foram deportadas”, disse o comissário da dependência, Gerardo García.

A Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira (26) que prendeu 42 centro-americanos que conseguiram pular a cerca de metal e uma segunda, com arame farpado, que divide Tijuana da americana San Diego.

García assegurou que “há instigadores” na caravana migrante que chegou a Tijuana há uma semana, após sair de Honduras no intuito de cruzar ilegalmente a fronteira. “Aproveitam o anonimato da massa (…) e, por isso, não foram detidos”, explicou, se referindo aos supostos instigadores.

Após a tentativa fracassada, no abrigo onde estão amontoados cerca de 5.000 migrantes da caravana, pode-se perceber uma sensação de derrota, fazendo com que muitos optem por retornar para os seus países ou optem por ficar no México.

“Respiramos gás, as crianças estão traumatizadas e as mulheres, arrasadas. Não sei mais se fico aqui e peço trabalho, se volto para Honduras, se continuo tentando atravessar…”, disse à imprensa Darwin Rivera, hondurenho de 36 anos que viaja com sua esposa e três filhos pequenos.

“Agora eles percebem que é difícil atravessar. Talvez a opção mais viável seja retornar ou se ficar no México”, disse Juan de Dios Chavarín, intermediário da Organização Internacional para as Migrações da ONU em Tijuana.

O membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos, Edgar Corzo, disse que percorreu o abrigo, e percebeu que muitas pessoas manifestaram o interesse em voltar”.

Segundo ele, no percurso desta caravana, que chegou a somar 7.000 centro-americanos, 1.700 pediram a repatriação voluntária. Uma lista de espera para que os migrantes possam pedir refúgio nos Estados Unidos, e que inclui outros de diferentes nacionalidades que chegaram a Tijuana. Esse número ultrapassa 5.000 nomes.

Esse grande número de pessoas teria que esperar durante meses, pois em um bom dia as autoridades americanas recebem entre 60 e 90 solicitantes de refúgio.

“Aprenderam a lição. Já viram que não puderam entrar facilmente nos Estados Unidos. Hoje acordaram menos rebeldes”, disse hoje um agente do BETA, grupo do INM de auxílio a migrantes.

O abrigo amanheceu cercado de um forte dispositivo policial. Alguns migrantes incomodados pularam as grades do local quando policiais federais os impediram momentaneamente de sair.

Momentos de tensão

No domingo, Tijuana foi palco do momento mais importante vivido por esta caravana, que percorreu mais de 4.000 quilômetros até o noroeste mexicano.

Quando mil centro-americanos faziam uma manifestação na ponte fronteiriça de El Chaparral, exigindo que os Estados Unidos lhes permitisse pedir refúgio, metade do grupo se separou e foi em direção à fronteira.

Homens e mulheres, muitas com crianças pequenas, se confundiam entre os empurrões, gritos e choros, enquanto tentavam escalar ou atravessar a primeira barreira.

Eles retrocederam diante dos sobrevoos de helicópteros americanos, do gás lacrimogêneo e das balas de borracha lançadas do norte. Após o incidente, essa parte da fronteira foi fechada por algumas horas pelos Estados Unidos.

O governo de Honduras condenou o uso de balas de borracha contra os migrantes e pediu “que respeitem os direitos humanos”.

Em contrapartida, o incômodo dos moradores locais se acentuou, por considerarem que a caravana alterou suas vidas, que se desenvolve dos dois lados da fronteira.

“Aborreceram no domingo todos os que trabalham decentemente aqui na fronteira”, reclamou o motorista Jesús Tirado.

“Vamos usar a tolerância zero porque a polícia está em desvantagem”, declarou um comando da polícia local.

No domingo à noite, o presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, que assumirá o poder no sábado que vem, se reuniu com seus principais colaboradores após saber do incidente na fronteira.

Do outro lado está o presidente americano, Donald Trump, que advertiu que quem cruzasse ilegalmente não teria direito a pedir refúgio.

Trump também pressiona para que o México abrigue os migrantes enquanto os Estados Unidos analisam suas solicitações de refúgio.

Nesta segunda-feira, Trump voltou a fazer críticas no Twitter: “O México deveria enviar os migrantes agitadores de bandeiras, muitos dos quais são criminosos frios, de volta aos seus países (…) mas NÃO entrarão nos EUA. Fecharemos a fronteira permanentemente se for necessário”.

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