Caravana migrante de hondurenhos segue rumo aos EUA

Milhares de pessoas, a maioria delas de Honduras, retomaram no domingo sua marcha rumo aos Estados Unidos. Logo no início do dia, a enorme caravana saiu de Ciudad Hidalgo, no sul do México, a caminho da fronteira do país com o território americano. Elas dizem fugir da violência e da pobreza em seu país, em busca do que acreditam que será uma vida melhor.

Houve tumulto na fronteira do México com a Guatemala, quando estas pessoas, entre eles crianças, idosos e mulheres, foram barradas por autoridades na ponte que liga os dois países.

Muitos entraram ilegalmente, nadando, de barco e com a ajuda de cordas, pelo rio Suchiate, passando sob a ponte onde fica o posto de imigração. Ao mesmo tempo, o México autorizou a entrada de pequenos grupos que pediam asilo e concedeu permissão para ficarem no país por 45 dias.

Um grupo de 2 mil pessoas votou na manhã de domingo se continuaria a jornada que já chega ao nono dia, segundo a agência de notícias AP. Erguendo suas mãos, a maioria delas manifestou sua vontade de prosseguir e não foram impedidas de cruzar a fronteira.

“Caminharemos juntos!”, disseram, comemorando quando já caminhavam em território mexicano. “Sim, podemos.”

Algumas estão visivelmente cansadas, mas quase todas tinham um sorriso no rosto. “É muito importante para nós estar aqui”, disse à BBC José Luis, um dos integrantes da caravana.

A marcha partiu de San Pedro Sula, em Honduras, e cruzou a Guatemala. Agora, o enorme grupo de pessoas caminha pela estrada entre Ciudad Hidalgo e Tapachula, no sudeste mexicano.

Um grupo de mexicanos se organizou para escoltá-las. A polícia vai à frente, em patrulhas. Até o momento, não está claro se as autoridades tentarão detê-las.

O presidente americano, Donald Trump, já fez vários alertas para que os migrantes voltem e ameaçou fechar a fronteira americana e cortar ajuda enviada aos países que permitam sua passagem.

Em um tuíte publicado no domingo, ele disse que esforços estão sendo feitos para “parar o ataque de aliens ilegais”. Ele sugeriu que a caravana tem motivações políticas.

“As caravanas são uma desgraça para o Partido Democrata. Mudem as leis de imigração AGORA!”, escreveu.

O que aconteceu na fronteira?

Muitos romperam temporariamente as barreiras colocas na ponte entre a Guatemala e o México. Policiais usaram gás lacrimogênio para forçar as pessoas a voltarem depois de serem atacados com pedras.

Vários pularam no rio Suchiate para chegar a botes, enquanto outros voltaram para a Guatemala ou simplesmente sentaram na ponte. Pessoas teriam ficado feridas no confronto.

As autoridades mexicanas disseram que aqueles com passaportes e vistos válidos poderiam entrar imediatamente, mas acredita-se que isso represente apenas uma minoria do grupo.

E alertaram que pessoas sem documentos teriam de pedir refúgio ou retornar, e que qualquer um que cruzasse ilegalmente seria detido e deportado.

Uma parte permanece ainda na ponte, aguardando um sinal das autoridades mexicanas em meio ao calor e dormindo sobre o asfalto, sem acesso a água corrente ou banheiros, enquanto milhares caminham já no México.

“Ficamos desesperados e dedicidimos seguir para buscar um futuro nos Estados Unidos. Além disso, não havia garantias de que não iam nos deportar se esperássemos”, diz Juan Pablo, um jovem que cruzou a fronteira a nado.

Jessica, de 15 anos, viaja sozinha entre os que agora marcham em território mexicano. Quer chegar a Nova York, onde tem familiares. “Vim porque uns membros de uma gangue me disseram que iam me matar.”

Ela pediu o telefone de um desconhecido para ligar para a minha mãe. “Ela chorou e me pediu para que eu eu me cuidasse.”

O que acontecerá agora?

Na sexta-feira, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernandez disse ter conversado com o presidente da Guatemala e pedido permissão para enviar apoio local para ajudar com a caravana.

“Pedi autorização para contratar transporte terrestre para quem quisesse voltar e aéreo para casos especiais envolvendo mulheres, crianças, idosos e doentes”, tuitou Hernandez.

Os dois presidentes se encontraram no sábado para debater a situação e disseram que 2 mil pessoas dentre as mais de 4 mil que estavam na fronteira já voltaram.

Mas, para a maioria, dar meia volta não parece ser uma opção. “Chegamos até aqui, não há como voltar. Queremos atravessar o México”, disse David López, um dos coordenadores da marcha, que cruzou a fronteira pelo rio.

O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, disse que o conflito na fronteira era “sem precedentes” e acusou alguns dos integrantes da caravana de atacarem a polícia.

Grupos de defesa de direitos humanos criticaram a reação de México e Estados Unidos.

Ainda que as autoridades mexicanas tenham começado a deixar as pessoas entrarem, processando pedidos de refúgio, o ritmo é lento. “Essa é uma crise. As crianças estão sofrendo muito e se passarem muito tempo aqui (na ponte), pode haver mortos”, diz Eva Fernández, da ONG Yo Amo Guatemala, que saiu da Califórnia para ajudar a organizar a marcha.

O comissário nacional de segurança do México, Renato Sales Heredia, disse à BBC que estas pessoas devem “comprovar que, em seu país de origem, sofrem com a violência ou algum problema humanitário.

Sales disse que cada caso será analisado individualmente, um processo que costuma levar 40 dias. Ele garantiu que serão processadas em média 300 solicitações de refúgio por dia.

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