FMI avisa que os EUA vão perder a guerra comercial

Apesar do aparente bom momento da economia dos Estados Unidos, o FMI avisa – no âmbito da sua reunião de outono – que a economia norte-americana será, a longo prazo, uma das mais prejudicadas pela espiral de barreiras tarifárias em que Washington e Pequim entraram, só suplantada pelos malefícios que afetarão México e Canadá.

Em Bali, este ano o cenário escolhido pelo FMI para realizar sua reunião anual, nenhum sinal de otimismo saiu dos trabalhos: o crescimento da economia mundial foi revisto em baixa, passando dos previstos 3,9% para os mais comedidos 3,7%.

No agregado da União Europeia, as notícias são preocupantes: França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha evoluíram mais desfavoravelmente que o previsto nos últimos meses. A Zona Euro continua a crescer a um ritmo aceitável – este ano, o crescimento será de 2%, quatro décimos a menos do que o previsto em abril – mas a desaceleração está a aparecer mais cedo do que o esperado.

Cada país tem seus próprios problemas: a França está a ser penalizada por um crescimento mais lento das exportações; a Alemanha crescerá seis décimos a menos devido à menor atração das exportações e da produção industrial; a Itália vive a incerteza gerada pelo governo populista e antieuropeu e pela menor procura interna e externa; o crescimento no Reino Unido está submerso pelo imbróglio em torno do Brexit, o que presumivelmente levará a um aumento das barreiras alfandegárias; e até a Espanha evoluirá menos rapidamente (menos que os 2,7% anunciados).

Essa redução generalizada nas previsões de crescimento não é uma surpresa. Os representantes do Fundo já tinham assinalado nas últimas semanas os riscos que estavam no horizonte, depois do início da guerra comercial planetária. E não se coíbe de chamar a atenção para que o grande prejudicado a longo prazo acabará por ser o principal responsável pelo início das hostilidades: os Estados Unidos.

Para antecipar as consequências de uma deriva que acaba de começar, o FMI avança que, se as coisas continuarem no sentido em que atualmente caminham, o conflito acabará por infetar o investimento empresarial e a sua capacidade de se financiar nos mercados.

No pior dos cenários, a China seria a mais atingida nos primeiros anos do conflito. Mas a seguir, em movimento de bumerangue, seriam os próprios Estados Unidos a sofrer o maior impacto, sendo a sua economia a mais atingida a longo prazo. Em todo o mundo, segundo as estimativas do FNI, apenas os membros do recente acordo pós-NAFTA, México e Canadá, seriam mais atingidos.

“O maior risco está num aumento generalizado das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra os principais blocos económicos, despertando uma forte resposta da China e da União Europeia”, alerta um relatório do BBVA Research a que o FMI parece ter dado razão. Como disse Christine Lagarde, a mais alta responsável do FMI, antes de partir para Bali, “a retórica está a tornar-se realidade”.

No último relatório preparado pelo economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, o texto alerta para a acumulação de riscos que se amontoam no horizonte: além das tensões comerciais, existe risco acrescido nas negociações do Brexit, restrições financeiras nas economias desenvolvidas – que são intensificados pelo aumento das taxas decidido pela Reserva Federal norte-americana – e vulnerabilidade nas dívidas públicas.

“Se somarmos as tensões políticas significativas em algumas regiões, prevemos que, mesmo para o futuro mais imediato, a probabilidade de surpresas desagradáveis ​​supera a de existirem boas notícias imprevistas”, conclui Obstfeld.

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