Esposa confessa que cortou e ateou fogo no órgão genital do marido

A esposa do médico Denirson Paes, a farmacêutica Jussara Paes, revelou durante a sua confissão à polícia que cortou e ateou fogo no órgão genital do marido. Em novo depoimento, a viúva do cardiologista deu detalhes sobre o assassinato e disse ter cometido o crime sozinha. O advogado de defesa de Jussara e Danilo, Alexandre Oliveira, confirmou a versão de Jussara. “Não foi uma circunstância isolada, foi uma atitude no calor do momento”, afirmou.

Segundo ela, o filho Danilo Paes, que também está preso, não teve participação alguma na morte. O nome de uma testemunha foi levantado. Seria um amigo da suspeita, mas ele ainda não foi ouvido. Uma reconstituição do crime será realizada pela Polícia Civil, mas a data ainda não foi marcada. A reprodução simulada acontecerá na casa onde a família morava em Aldeia e deverá contar com a participação de Jussara.

A farmacêutica disse ter matado o marido durante uma briga, após ter descoberto que ele teria uma amante. No dia 1 de junho, depois de discutirem, o casal entrou em luta corporal e Denirson teria caído e batido a cabeça. Ele teria sofrido um afundamento do crânio, e em seguida, Jussara disse ter estrangulado o médico. Quando viu que ele estava desfalecido, ela colocou o corpo dentro do quarto do quiosque e só voltou ao local na madrugada, onde mutilou e ateou fogo no órgão genital do marido.

Ela teria tentado jogar o cadáver do médico na cacimba, mas como não conseguiu, pegou uma faca e cortou os braços e as pernas dele antes de colocá-lo na cacimba. De acordo com Jussara, os filhos estavam dormindo durante todo esse processo. O pai de Denirson, o aposentado Francisco Ferreira da Silva, disse não acreditar na farmacêutica. “É mais uma mentira. A perícia apontou que ela não tinha condição de fazer isso sozinha. Acredito no trabalho da polícia”, declarou.

 

Entenda o caso

O corpo de Denirson foi localizado durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão solicitado pela delegada que apura o caso. O cadáver foi encontrado aos pedaços e foi jogado em um poço de 25 metros de profundidade na residência da família em um condomínio de luxo em Aldeia, Camaragibe. No local, também foi jogada uma grande quantidade de areia, metralha e cloro, o que foi feito, segundo a polícia, com a intenção de dificultar a localização do corpo e disfarçar o mau cheiro.

Denirson Paes era cardiologista e trabalhou em grandes unidades de saúde do Recife, como os hospitais Getúlio Vargas, das Clínicas, do Exército e o Procape, referência em doenças do coração no estado. Além de formado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele também se graduou em direito por um universidade particular. Tanto o médico quanto a esposa nasceram na cidade de Campo Alegre de Lourdes, no interior da Bahia.

Pouco antes de ser morto, Denirson havia, segundo o pai do médico, anunciado que queria se separar de Jussara. O casal tinha viagem marcada para os Estados Unidos em junho e, no dia 30 de maio, o médico cancelou o passeio. No mesmo dia, ligou para o consultório particular onde atendia e avisou que manteria os atendimentos marcados para o período de folga. Essa foi a última vez que o cardiologista manteve contato com alguém. No dia seguinte, ele desapareceu.

Ao prestar depoimento, os funcionários da residência adiantaram que foram dispensados do trabalho nos dias 30 e 31 de maio. A empregada doméstica só retornou à casa no dia 1º e o caseiro no dia 4 de junho. Eles relataram que Jussara solicitou que eles limpassem várias vezes a residência, principalmente a área próxima à cacimba. No dia 12, o dia em que o casal deveria retornar de viagem, o caseiro estranhou o forte odor que saía do reservatório. Então, a farmacêutica pediu para que ele cimentasse a tampa do poço, pois teria jogado um gato morto no local.

Somente no dia 20 de junho, Jussara Paes registrou queixa sobre o desaparecimento do marido na Delegacia de Camaragibe. Durante o período, amigos, clínicas e laboratórios para os quais o médico prestava serviço utilizaram as redes sociais para buscar informações sobre o paradeiro de Denirson Paes.

No boletim de ocorrência, a esposa da vítima chegou a dizer que ele poderia ter viajado para os Estados Unidos sem ela e, em seguida, partido para a Rússia para ver os jogos da Copa do Mundo. Ainda no depoimento, ela confirmou que o marido foi visto pela última vez no dia 31 de maio. Na verificação feita pala polícia nas imagens do circuito interno do condomínio, foi verificado que o médico não saiu do local.

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