Atleta baiano faz ‘vaquinha’ para estudar nos EUA

Quase toda criança brasileira já teve o sonho de ser jogador de futebol profissional. Para o jovem Matheus Alves, de 23 anos, morador de Cajazeiras, esta oportunidade bateu diversas vezes na trave, fazendo-o quase desistir de seu objetivo.

No entanto, uma oportunidade de estudar e jogar futebol nos Estados Unidos, fez a esperança do craque reacender com mais força, mas a dificuldade financeira de arcar com a viagem tem sido um grande obstáculo nesta jornada. Com isso, Matheus iniciou uma vaquinha online, onde as pessoas podem fazer doações e ajudar o jovem da periferia de Salvador a conquistar seus sonhos.

Atuando como zagueiro, o rapaz teve seu primeiro contato com o futebol aos oito anos de idade, quando começou a treinar no Projeto de Alfabetização a Faculdade do Futebol (PAFF), localizado na Pronaica, em Cajazeiras 10, que é a mesma escolinha em que dá aulas de futebol atualmente. Sua primeira peneira foi no Ypiranga, onde não obteve sucesso. Depois ele tentou o Atlântico-BA e a ABB-Simões Filho, no momento em que a situação financeira em sua casa apertou e ele teve que largar o futebol por um tempo para dar um suporte à família.

“O futebol sempre foi a minha vida, com 8 anos de idade comecei a minha trajetória no futebol, e como 90% das crianças brasileiras, sempre sonhei em ser jogador de futebol, mas não é nada fácil. Mesmo viajando, me dedicando, as coisas não saíram como o planejado, a idade foi passando e as portas se fechando, mas nunca deixei de acreditar”, conta Matheus.

Aos 19 anos, o jovem atleta começou a faculdade de direito, mas se sentia deslocado. Vestir um terno não é mesma coisa que calçar uma chuteira e suspender o meião. Aquele não era seu lugar. Então, no segundo semestre, surgiu um convite para fazer um teste no Trindade, de Goiás, e ele não pensou duas vezes. Trancou a faculdade e viajou. No entanto, mais uma vez a chance bateu na trave.

Retornando à Salvador, Matheus só ficou com uma coisa em mente: “Irei me tornar um jogador profissional”. Foi quando surgiu a bolsa.

“Sempre sonhei em sair do país e conhecer o mundo. Depois de todas as tentativas, entrei em uma feira de intercâmbio e lá eu fiz vídeos jogando para mostrar meu trabalho. Com isso, consegui algumas propostas de bolsas e a da Marshalltown CommunityCollege, localizada no estado do Iowa, nos Estados Unidos, foi a que mais chamou atenção por conta do estudo de alta qualidade e do bom time de futebol que a Universidade tem. Vou fazer o possível para ir”, sonha o jogador.

Matheus espera arrecadar R$ 30.000, valor que arcaria com os custos da viagem, até o mês de agosto.

 

Vendendo água

Contando com a ajuda de amigos e familiares, Matheus colocou em prática várias formas de arrecadar dinheiro para viajar aos Estados Unidos. O jovem começou a vender geladinho em casa e na escolinha onde dá aulas, além de contar com a ajuda do feijão de sua mãe, que é bastante vendido, ajudando na arrecadação. Mas foi no Carnaval que o jovem conseguiu tirar uma boa quantia para esta luta.

“No carnaval saí para vender água todos os dias e foi uma coisa que nunca vivi em minha vida. Tava muito tímido e quase pensei em desistir de vender no meio do caminho. Colei nos isopores a frase ‘Ajude um atleta a conquistar o mundo’ e diversas pessoas compraram e outras apenas me deram dinheiro para ajudar”, revela o atleta.

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