Guloseimas com sotaque brasileiro fazem sucesso nos EUA

Pão de queijo e panetone passam a integrar cesta de compra dos americanos, com novas embalagens, sabores e insumos locais

Lissette McNair, americana moradora do estado da Virgínia, na região metropolitana de Washington, só topou dar entrevista quando soube que ela sairia em português e não seria lida por seu marido, também americano. O motivo? Iria revelar um segredo: esconde pão de queijo dele.

— Adoro, sempre que posso tenho em casa, mas às vezes, quando tenho pouco, guardo só para mim — confessa. — Agora está mais fácil. Prefiro os caseiros, feitos por minha vizinha brasileira, Luciana Navarro, mas os prontos vendidos no mercado são bem saborosos. Todos os meus amigos e familiares que provam amam. É diferente dos pães que temos aqui.

Antes vendido para a comunidade brasileira, na linha do “mercado da saudade”, o cheese bread, como é conhecido em terras gringas, começa a conquistar a admiração dos consumidores americanos. O produto saiu das “gôndolas étnicas” e latinas dos supermercados para brigar de igual para igual com outros snacks.

— Quando conseguimos que um americano experimente um pão de queijo, geralmente conquistamos o cliente — conta Helder Mendonça, presidente da Forno de Minas.

PÃO DE QUEIJO COM CHEDDAR E PARMESÃO

Na empresa, as exportações do produto já representam 7% do faturamento, mas Mendonça avalia que há espaço para dobrar esse percentual em poucos anos. Com o preço alto das ações diretas no varejo, a Forno de Minas investe na apresentação em food services, ou seja, hotéis e cafeterias.

Os americanos compram de 30 a 40 toneladas do produto mensalmente, estima Mendonça. O volume é abaixo das 80 a 100 toneladas vendidas a brasileiros nos Estados Unidos, mas está em franca expansão.

— A venda de pão de queijo para americanos sem ligações com o Brasil triplica a cada ano. Estamos mudando a embalagem do produto após uma pesquisa. Já tivemos de nos adaptar, pois aqui o produto semiassado, que fica pronto em cinco minutos, teve mais aceitação que o congelado, que depende de 30 minutos no forno.

Junea Rocha, de 35 anos, que criou, no Oregon, a Brazi Bites há sete anos, focada quase exclusivamente no mercado americano, já vende quatro milhões de pacotinhos de pão de queijo por ano, nos sabores tradicional, cheddar e parmesão, alho, pepper jack e pizza três queijos. O faturamento em 2016 foi de US$ 8,5 milhões e deve passar de US$ 10 milhões este ano.

— Nosso faturamento saltou 4.554% em três anos — conta ela.

MAIS DA METADE DO MERCADO

As vendas deslancharam depois que ela participou do Shark Tank, um reality show focado em empreendedorismo. Hoje com 50 funcionários, Junea avalia que o mercado potencial para o pão de queijo nos EUA é gigantesco.

— Tem tudo para cair no gosto do americano: é prático, pode ser comido enquanto se caminha na rua, funciona como um lanche rápido e pode ser recheado — disse Junea, que se formou em Engenharia na UFMG e está há 12 anos nos EUA.

E não é apenas o pão de queijo. O panetone, receita italiana que tem um estilo todo brasileiro, está em alta. Nesta temporada de festas de fim de ano, os produtos da Bauducco estão nos encartes das principais redes varejistas do país. E, mais que isso, em um letreiro da Times Square, em Nova York.

— O painel mostra, em tempo real, a reação das pessoas, que provam o produto ali mesmo, embaixo do letreiro. Isso casa com nossa campanha, que afirma “difícil de descrever, fácil de amar” — disse Erik Volavicius, diretor de marketing nos EUA.

Segundo ele, a Bauducco conquistou 54% do mercado de panetone nos EUA em 2016 e deve ampliar esta fatia este ano. Ao todo, 90% dos compradores são americanos sem ligação com o Brasil. Outra estratégia para conquistar este público é uma exclusividade da empresa no Brasil: o Chocottone. Nos EUA, eles usam o chocolate da Hershey’s e a uva da Sun-Maid, o que favorece a aproximação com o público pela familiaridade com as marcas.

A empresa já é vice-líder em biscoitos wafers e quer crescer no mercado de torradas, com apelo ao consumidor fitness, a partir da linha de produtos Cereale. Volavicius resume a importância do mercado americano:

— Os EUA foram o local que escolhemos para montar a primeira fábrica fora do Brasil, que será inaugurada no primeiro semestre de 2018, na região de Miami.

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