Dólar nas alturas! Entenda o que afeta a cotação da moeda americana no Brasil

Valorização da moeda americana frente ao real afeta balança comercial brasileira e encarece centenas de produtos importantes para os brasileiros que são importados e, portanto, dependem da cotação do dólar. Entenda

Já não é mais novidade para ninguém que o dólar está em franca valorização em relação ao real há várias semanas. Porém, muitos consumidores acompanham o noticiário sem saber quais os reais impactos que a cotação da moeda americana tem no seu dia a dia. Desde que o brasileiro não tenha uma viagem internacional marcada ou deseje comprar um produto diretamente de outro país, por que a cotação do dólar importa?

Para esclarecer essa e outras dúvidas a equipe do Brasil Econômico entrevistou a professora de economia do Ibmec/SP Paula Sauer e preparou um material completo com várias perguntas e respostas sobre os motivos que estão fazendo o dólar se valorizar tanto e sobre as consequências que isso provoca na vida dos brasileiros.

Confira abaixo e deixe suas dúvidas nos comentários:

 

Fatores externos

Por se tratar de uma moeda estrangeira, a cotação do dólar está diretamente associada a fatores externos ao Brasil que fogem do controle da equipe econômica do governo federal e do Banco Central, instituição responsável por tentar controlar a flutuação do câmbio para que o país tenha bases sólidas para se desenvolver com algum nível de segurança.

De maneira simplificada, a professora Paula Sauer ressalta que “vivemos numa economia globalizada. Uma decisão local pode gerar reflexos em diversas outras sociedades” e faz uma metáfora: “imagine a cena de uma pedrinha jogada em um lago. As ondas se propagam em todas as direções e chegam a quem está nas margens. No caso da economia também. Facilmente somos afetados por decisões tomadas do outro lado do planeta”.

Na atual conjuntura, explica a especialista, a desvalorização de moedas de diversos países com economias emergentes como o Brasil “não se deve a um único fator”, mas “a possibilidade de um aumento constante da taxa de juros norte-americana, valorizando seus títulos públicos, tende a atrair investimentos que possivelmente teriam se deslocado para as economias emergentes”.

Em outras palavras, quando o Banco Central dos Estados Unidos decide subir a taxa de juros do país, como chegou a fazer essa semana, ele transmite uma mensagem ao mercado de que os empresários que desejarem comprar títulos públicos no país teram um retorno maior. Isso faz com que muitos investidores tirem os dólares que estavam investidos no Brasil e levem de volta para os Estados Unidos.

Esse movimento faz com que a oferta de dólares disponíveis por aqui diminua em relação à sua demanda, o que faz o “preço” do dólar subir. Mas o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos não explica tudo, como a professora bem lembrou.

As ameaças do presidente Donald Trump de entrar numa guerra comercial com a China, taxando produtos chineses e de outros lugares do mundo para “proteger” as empresas americanas, também afetam a cotação da moeda já que o mercado teme as consequências de ações e reações intempestivas e, sem conseguir prever o futuro, tende a fazer escolhas por investimentos mais seguros, notadamente, em economias mais estáveis e consolidadas do que o Brasil.

 

Fatores internos

Para que o Brasil represente uma economia estável, com potencial de crescimento, representando um bom potencial de investimento e, portanto, atraindo dólares e outras moedas estrangeiras para o país, o governo federal precisa se esforçar bastante. Não é à toa que, após governos com apelos mais populares, o presidente Michel Temer resolveu liderar uma agenda de políticas bastante impopulares para tentar “agradar o mercado”.

A agenda de Temer, porém, fracassou em grande parte. Reformas como a da Previdência consideradas importantes para colocar as contas públicas em dia e demonstrar ao mercado que o governo será capaz de honrar os pagamentos de seus “empréstimos” não avançaram e os investidores já perceberam que não há uma perspectiva de que isso acontecerá no curto prazo. Dessa forma, nas palavras de Paula, “deixa uma boa parte da população com o pé atrás”.

Fora isso, a professora também destaca a imprevisibilidade eleitoral. Com a sucessão presidencial totalmente em aberto, “a falta de clareza em relação as propostas dos candidatos preocupam. Nesse cenário, as oscilações de uma maneira geral, são previsíveis, aumentando a instabilidade e a falta de confiança não só do empresariado, mas também do consumidor que, na dúvida, não coloca a mão no bolso.”

Além disso, o alto índice de desemprego faz com que exista menos dinheiro em circulação, o que também desmotiva o investimento no país, já que, com o mercado pouco aquecido, o risco de não obter o retorno financeiro esperado com a aplicação aumenta. Até a greve dos caminhoneiros é um fator que pode estar contribuindo para a alta do dólar já que suas consequências demonstraram as fraquezas do país ao depender tanto de uma só categoria.

 

Impactos na população

Diferente de outros períodos de alta do dólar, porém, dessa vez a inflação, que é o índice que mede o aumento de preços dos produtos, parece estar sob controle. Ao contrário do que poderia se imaginar, o governo está tendo problemas para fazer a inflação subir e chegar aos números projetados por ele mesmo, já que a preocupação do consumidor está tão grande que os brasileiros não estão gastando.

Novamente, com baixa procura por produtos, os comerciantes não têm nem como aumentar os preços, caso contrário, venderão menos ainda. Mas se mesmo com o dólar alto, os preços não estão subindo, isso é um sinal de que a população não está ou vai sofrer os impactos da superdesvalorização do real?

“Absolutamente”, rechaça a economista, “o Brasil depende depende da importação de muitos produtos manufaturados, tecnologia de pontos, produtos químicos, medicamentos, veículos, bebidas, eletrônicos, até o pãozinho de cada dia fica ameaçado já que importamos uma grande parte do trigo que consumimos. Essa dependência deixa o Brasil extremamente vulnerável às flutuações do câmbio”.

A tendência, portanto, é de que os empresários de setores que dependem das exportações estejam, por enquanto, assumindo os custos-extras da alta do dólar. Essa contenção dos preços, porém, se feitas durante muito tempo, podem levar muitas empresas à falência. Outra alternativa seria repassar esse aumento num momento futuro à população, fazendo com que a inflação disparasse de uma só vez ao invés de aumentar gradualmente.

Fonte: Economia – iG @ http://economia.ig.com.br/financas/2018-06-18/dolar-cotacao-impacto.html

 

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