Brasil é ‘ficha limpa’ no comércio, diz embaixador em Washington

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, queixa-se do tratamento dado a empresas americanas pelo Brasil, os exportadores brasileiros enfrentam vários problemas para colocar seus produtos no mercado americano. As principais barreiras estão nos setores agrícola, siderúrgico, de alumínio, têxteis e confecções. São subsídios e programas de apoio à produção e exportação concedidos pelo governo dos EUA, quotas tarifárias, proibições fitossanitárias, picos tarifários e entraves técnicos sobre bens e serviços que dificultam o ingresso no mercado americano.

O diagnóstico faz parte de um estudo elaborado em agosto deste ano pela embaixada do Brasil em Washington, denominado “Desafios e oportunidades à exportação de produtos brasileiros aos Estados Unidos”. O material é dividido em três partes: os desafios, os problemas que já foram resolvidos — como a redução dos subsídios domésticos aos produtores americanos de algodão, o reconhecimento da cachaça como produto brasileiro e o fim da sobretaxa de US$ 0,54 por galão de etanol importado — e as oportunidades que podem ser aproveitadas no gigantesco mercado americano.

— O que queremos mostrar com esse levantamento é que o comércio com os EUA apresenta oportunidades, mas também tem uma série de barreiras protecionistas que cobre grande quantidade de produtos — disse ao GLOBO o embaixador do Brasil em Washington, Sergio Amaral, acrescentando que foi produzida uma versão em inglês do estudo que será divulgada nesta semana.

O diplomata afirmou que o Brasil é “ficha limpa”, porque não tem práticas desleais em relação às empresas americanas:

— As regras brasileiras para a proteção de propriedade intelectual estão em pleno funcionamento e, se considerarmos o intercâmbio bilateral de comércio e investimentos, não dá para singularizar o Brasil como um país que pode ter práticas desleais em relação às empresas americanas. O Brasil é um país ficha limpa.

Na lista de desafios, destacam-se as dificuldades para que o exportador brasileiro de açúcar possa competir com o produtor americano, que tem acesso a empréstimos subsidiados. Além disso, as importações de açúcar pelos EUA são limitadas a 152,7 mil toneladas, ao preço de US$14,60 a tonelada. O que passar disso é taxado em US$ 357,4/t para o refinado e US$ 338,7/t para o bruto.

Os subsídios aos produtores agrícolas americanos deixam as exportações brasileiras menos competitivas, tanto nos EUA como em terceiros mercados. Entre os exemplos de produtos afetados, além do açúcar, estão algodão, milho, soja e lácteos. O Tesouro americano cobre os custos de produção, para que os preços desses produtos fiquem abaixo dos importados e dos praticados no mercado externo.

Outros exemplos são frutas, hortaliças e carnes bovina e de frango, itens afetados por barreiras fitossanitárias e técnicas. Têxteis e confecções têm tarifas de importação elevadas, acima de 30%.

Compartilhar:

0 Comentário(s)

Deixar Comentário

Login

Bem-vindo! Faça o login na sua conta

Lembrar-me Perdeu a senha?

Lost Password

yoast seo premium free