Projeto de alunos brasileiros vence concurso da Nasa e será enviado para estação espacial

Um projeto elaborado por estudantes brasileiros de 12 e 13 anos será enviado à Estação Especial Internacional (ISS) no próximo ano para auxiliar em pesquisas sobre construção e fabricação de peças no espaço. O experimento foi vencedor de um concurso promovido pela Nasa em parceria com o governo dos Estados Unidos para estimular pesquisas científicas entre os jovens. O resultado foi anunciado na manhã desta quinta-feira.

O projeto “Cimento Espacial” foi elaborado por quatro alunos do sétimo ano do Colégio Dante Alighieri, tradicional escola de São Paulo, um aluno da Escola Municipal Perimetral, localizado na zona Sul da capital paulista e uma estudante do Projeto Âncora, em Cotia, na região metropolitana de São Paulo. Foi a primeira vez que um projeto brasileiro participou do processo seletivo.

A pesquisa tem por intuito descobrir de que forma a microgravidade afeta o processo de endurecimento do cimento misturado com plástico reciclado e água. Isso possibilitaria a construção de materiais no espaço, por exemplo. Uma amostra do composto será testada por um astronauta, que verificará se as reações no espaço serão as mesmas observadas na terra.

— Um dos principais problemas que encontramos é que não poderíamos mandar nenhum experimento que liberasse calor. Como o cimento liberou calor nos primeiros testes, tivemos de correr atrás de outros materiais para usar no experimento — conta o estudante Guilherme Funck, de 12 anos, que participou da elaboração do projeto vencedor.

Os alunos prepararam um tubo divido em duas partes, uma com água e outra com cimento, para ser chacoalhado e originar um novo composto com a mistura. Diante da dificuldade em lidar com o calor do cimento, acrescentaram ao material um pouco de plástico verde para isolar o calor. Um dos motivos que levou à escolha do polímero foi a descoberta da existência de uma impressora 3D que o produz na ISS, o que agilizaria sua produção em larga escala no espaço.

Para testar o experimento, outro tubo terá de ser preparado pelos alunos. Um ficará no Brasil, utilizado como forma de controle, e outro será enviado ao espaço. A ideia é que, após 30 dias fora da órbita terrestre, o tubo retorne e seja comparado ao utilizado como controle.

Guilherme, que sempre gostou mais das aulas de História e Geografia na escola, disse ter se interessado mais por Ciências e pesquisas após participar do projeto.

— Muitos adultos não tiveram a oportunidade de fazer o que nós conseguimos ainda no sétimo ano. Isso é muito legal — comentou.

Caso as condições observadas no espaço sejam similares às da Terra, o projeto pode incentivar a produção de objetos fora da órbita terrestre e até mesmo estimular a possível ocupação de outros planetas do sistema solar.

— Os alunos perceberam que podem fazer a diferença para o mundo com este trabalho — observou Sandra Tonidandel, coordenadora-geral pedagógica do Dante Alighieri.

Embora o colégio já tenha projetos científicos previstos no currículo escolar há mais de dez anos, a participação no Programa de Experimentos Espaciais para Estudantes (SSEP) foi definida este ano, quando o Dante firmou uma parceria com a Missão Garatéa, um dos maiores consórcios espaciais brasileiros. Em setembro, 335 alunos do Dante e de escolas convidadas desenvolveram 72 projetos espaciais. Os estudantes tinham de levar ao menos três ideias originais e foram divididos em grupos para escolher qual seria desenvolvida como experimento.

Em equipes, os estudantes se reuniram semanalmente com professores para ampliar as pesquisas e testar as próprias ideias. Toda a metodologia teve de ser apresentada a uma equipe externa de avaliadores, que incluiu professores e pesquisadores, na seleção dos dez melhores projetos. Coube ao Garatéia escolher três deles para enviar ao concurso da Nasa. Por fim, o “Cimento Espacial” saiu vitorioso.

— Eles estão apaixonados por ciência e tecnologia. E não apenas como consumidores, mas também em idealizadores de experimentos que podem ser viáveis para a nossa evolução — disse Sandra. (fonte: O Globo)

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