Nos EUA, Brasileiros conciliam estudos com ”sonho americano” no futebol

Na terra do Tio Sam, não existe um esquema de categorias de base semelhante ao do Brasil. Por isso, para atuar no soccer norte-americano, os brasileiros que viajam para os Estados Unidos têm de participar do chamado ”bolsa-atleta”. Neste sistema, os jogadores recebem uma bolsa de estudos em uma faculdade, enquanto atuam em ligas semi-profissionais do país.

Natural de Natal (RN) e com passagens pelas categorias de base do América-RN, o meia Alex Medeiros cursa Educação Física com especialização em Coaching Esportivo na faculdade Northwestern College, de Iowa. Na última temporada, o atleta de 22 anos atuou pela equipe do Aurora FC, do Canadá. Por lá, vestiu a camisa 10 e disputou a League One de Ontário, um dos principais torneios de futebol do país.

Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, Alex contou um pouco da sua experiência no outro lado do continente. ”A maior dificuldade é a adaptação à cultura e a distância da família. Hoje em dia até está menos difícil, graças a tecnologia. Por outro lado, você acaba amadurecendo de diversas formas. Aprende a lidar com situações difíceis e a valorizar mais as pessoas”, conta o brasileiro, que desde 2015 vive na cidade de Orange City, em Iowa.

”Aqui na América do Norte existe mais disciplina, tanto dentro como fora de campo. No Brasil temos muitos times organizados, mas isso se limita aos clubes de maior investimento. Por aqui a maioria dos atletas entendem melhor a importância do preparo físico e mental desde os seus 12, 13 anos de idade. No Brasil esse amadurecimento acontece, geralmente, quando o jogador já está com 16, 17 anos”, completou.

”Talento valorizado” e assessoria para jovens brasileiros

Com o objetivo de auxiliar jovens que, assim como foi com ele no passado, possuem o ”sonho americano” no futebol, Alex Medeiros criou uma empresa de assessoria esportiva, que realiza intercâmbios de atletas para os Estados Unidos. É a ”Estude nos EUA”.

”A proposta do ‘Estude nos EUA’ é trazer oportunidades para atletas que querem estudar na América do Norte através do futebol. Procuro trazer um custo acessível e um trabalho mais flexível, com uma espécie de consultoria online. Vim para os Estados Unidos graças a uma empresa deste tipo, mas acho que esse mercado tem muito a melhorar. Por isso também resolvi criar a ‘Estude nos EUA”’, explicou o meia, que nos Estados Unidos atuou por FC Ginga e Jupiter United, dois times da Flórida.

Além do seu projeto de assessoria esportiva, Alex alimenta um canal no YouTube chamado ”Perdido nos EUA”. Por lá, ele posta vídeos com a sua rotina e até alguns lances das partidas em que atua. Segundo o jogador, o talento sul-americano é muito valorizado nos Estados Unidos.

”Nunca sofri preconceito dentro de campo. As vezes ocorre de alguns atletas tentarem te intimidar por ser de outro país. Mas na maioria dos casos os outros jogadores te apoiam por ser de fora, acham legal esta interação com o futebol sul-americano”, disse.

Alex Medeiros ainda conta que, apesar da grande procura dos brasileiros por oportunidades no soccer norte-americano, a Inglaterra é quem domina o sistema de ”bolsas-atleta”. ”O país com mais bolsistas no futebol dos Estados Unidos é a Inglaterra. Brasil e Espanha até possuem bastante jogadores. Também tem um pessoal da França”, avaliou.

”Grande maioria dos atletas vão para os Estados Unidos. No Canadá esta modalidade [bolsa-atleta] tem crescido muito, mas não é tão bem desenvolvida como nos Estados Unidos”, concluiu.

 

 

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