Brasilianista busca revelações sobre ditadura em 100 mil documentos dos EUA

Em visita a Porto Alegre, o pesquisador James Green, da Universidade Brown (EUA), fala do recém-descoberto telegrama de Geisel e da relação do governo americano com a ditadura brasileira

Diretor de um dos mais importantes centros de estudos sobre o Brasil no exterior, na Universidade Brown (EUA), James Green lidera o projeto Opening the Archives, que já digitalizou 35 mil documentos sobre a ditadura no Brasil – e vai pedir ao Departamento de Estado a liberação dos cerca de mil papéis censurados encontrados entre eles. O objetivo é localizar documentos relevantes, como o telegrama da CIA sobre o general Geisel recentemente descoberto por Matias Spektor, pesquisador da Fundação Getulio Vargas. No documento encontrado por Spektor, o então presidente Geisel diz que o Planalto autorizaria diretamente as execuções, que deveriam se limitar aos “subversivos mais perigosos”.

“Não houve bons e maus, ou maus e piores entre os ditadores brasileiros”, diz Green sobre Geisel, visto como o general da abertura, em oposição a uma ala mais dura do regime.

Além de pesquisar a ditadura brasileira na Universidade Brown, Green, que viveu em São Paulo entre 1976 e 1982, está escrevendo a biografia de Herbert Daniel, estudante de medicina que participou da luta armada na ditadura e foi um dos pioneiros da militância gay no país. Como o próprio Green, que em 1979 fundou o Somos, grupo de afirmação homossexual, no Brasil. “A esquerda era muito atrasada, havia um tipo de virilidade masculina necessária para ser guerrilheiro: frio, valente, capaz de fazer qualquer coisa pela causa. Era aquela imagem de Che Guevara”, rememora.

De passagem por Porto Alegre, onde proferiu uma aula no curso “O golpe de 2016 e a nova onda conservadora no Brasil”, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Green se hospedou na casa de Dilma Rousseff por uma semana, como estava combinado desde quando ele a ciceroneou por universidades americanas após o impeachment – na visão de Green, um golpe. O pesquisador se aproximou da ex-presidente durante a pesquisa para a biografia de Herbert Daniel, que será lançada em agosto. Dilma foi confidente de Daniel quando ele integrava o Comando de Libertação Nacional (Colina), em Belo Horizonte. “Quando ele se apaixonou por um companheiro da organização, ela o incentivou a falar. Mas o outro não era homossexual, ele ficou arrasado e foi a Dilma que deu colo, ajudou a superar”, revela Green.

(fonte: Agência Pública)

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