Califórnia desafia Trump com nova lei pró-imigrante

A Califórnia se tornou conhecida como estado que mais defende a comunidade imigrante e o que mais promoveu leis em defesa desta comunidade. Por isso, desde o início de seu mandato, o presidente Donald Trump encontrou barreiras e dificuldades para impor a sua política agressiva contra a imigração ilegal nas cidades californianas.

Para acirrar ainda mais esta briga, nesta segunda-feira (1º) entrou em vigor uma nova lei que consolida o confronto aberto entre o presidente Trump e o estado.

De acordo a nova legislação, os diferentes órgãos policiais da Califórnia não podem perguntar aos moradores sobre o status de imigração deles e tampouco participar de ações promovidas pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE).

Serão repassados aos agentes federais que controlam a fronteira apenas os casos de imigrantes que tenham cometidos certos crimes previstos na nova lei, a maioria grave. “Tirar os imigrantes das sombras não é só benéfico para toda a Califórnia, é o correto”, afirmou em entrevista à Agência Efe o presidente interino do Senado do estado, Kevin de León.

Ele foi o autor da lei SB54, conhecida como a “Ata dos Valores da Califórnia”.

Para o político, o projeto é uma mensagem para Washington e o resto do país de que seu estado “não participará de uma política movida pela prepotência”. Sancionada em outubro do ano passado pelo governador do estado, o democrata Jerry Brown, a lei não permite que os agentes municipais e estatais investiguem, interroguem ou prendam pessoas na Califórnia só por suspeitarem de que são imigrantes ilegais.

“A lei ajuda a preservar a confiança entre as autoridades locais e a comunidade de imigrantes, o que é crítico para a segurança pública”, indicou De León sobre seu projeto.

A partir desta segunda-feira, os agentes do ICE precisão de ordens judiciais para fazer operações em locais de trabalho ou para ter acesso ao histórico de um funcionário. Representantes de universidade, por sua vez, também não poderão cooperar com os agentes de imigração, o mesmo caso de proprietários de imóveis, que não poderão divulgar a cidadania de seus inquilinos.

“Santuário quer dizer que, em todo o estado, as famílias imigrantes, especialmente as sem documentos, poderão viver um pouquinho mais seguras”, resumiu Francisco García, da Igreja Episcopal Holly Faith de Inglewood.

Apesar de não ser o primeiro a se declarar “estado santuário”, uma honra ostentada por Oregon desde 1987, a Califórnia será o primeiro estado de grande população de imigrantes – pelo menos 2 milhões de pessoas – que se estabelece como refúgio.

Além dos dois estados, cerca de 200 cidades e condados nos EUA se declararam como “santuários”, entre elas estão Nova York, Boston e Chicago, um alívio para os cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais que o governo calcula estarem no país. A Ata dos Valores da Califórnia foi uma das respostas do estado às políticas implementadas por Trump, que tem mantido um polêmico e duro discurso contra a imigração desde a campanha eleitoral.

O procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, fez várias críticas às regiões que se estabelecem como “santuários” para os imigrantes e afirmou que os locais que adotam esse tipo de lei são os “melhores amigos” dos traficantes e dos contrabandistas.

Compartilhar:

0 Comentário(s)

Deixar Comentário

Login

Bem-vindo! Faça o login na sua conta

Lembrar-me Perdeu a senha?

Lost Password

yoast seo premium free