Brasileiros legalizados nos EUA ganham mais que norte-americanos

Uma coisa é ser ilegal no Estados Unidos. Muitos brasileiros nessa situação acabam se virando com “bicos” ou trabalhos informais, mas sempre estão à mercê de um golpe do destino que os denuncie.

Desde o início do governo de Donald Trump, segundo o ICE (Polícia de Imigração e Alfândega dos EUA, na sigla em inglês), o número geral de prisões de imigrantes ilegais aumentou 40% e as deportações nas áreas rurais dos Estados Unidos cresceram 34%.

Mas, por outro lado, aqueles brasileiros que conseguem vistos de trabalho ou de residência têm uma renda média anual maior do que a dos americanos.

A crise no Brasil, nos últimos dois anos, impulsionou a saída de muitos brasileiros, a maioria destes indicando uma mudança de perfil dos imigrantes, que, neste caso, passou a ser formado por pessoas com um nível de instrução relativamente elevado e qualificação profissional.

Em território americano, a renda média deles é de US$ 55 mil por ano (cerca de R$ 203,4 mil), enquanto a dos americanos é de US$ 54,46 mil anuais (cerca de R$ 201,2 mil). Destes brasileiros, 73% atuam no setor privado e 27% são autônomos.

As informações vêm de estudo feito pela Hayman-Woodward, consultoria especializada em imigração e emigração de pessoas físicas e jurídicas, com base em dados da Travel.state.gov, Itamaraty, pesquisa de comunidade americana e Migration Policy.

Segundo Leonardo Freitas, sócio-fundador da empresa, esse movimento se intensificou neste período em que a crise brasileira teve seus maiores picos.

— Para fugirem da crise política e econômica e da falta de segurança do País, muitos brasileiros extremamente qualificados vieram para os EUA em busca de qualidade de vida e de boas oportunidades de trabalho, o que resultou em um movimento de êxodo intelectual.

Dos brasileiros que trabalham legalmente nos EUA, apenas 11% não completaram o primeiro ou segundo grau. 89% são pós-graduados, graduados ou têm graduação incompleta. Este é o motivo, segundo Freitas, para que a renda tenha atingido patamares mais elevados.

— Por consequência, a renda média anual desses brasileiros aumentou em relação há alguns anos, quando os imigrantes eram menos qualificados.

Ele lembra ainda que, nos Estados Unidos, a partir da contratação de um funcionário por uma empresa, a nacionalidade não costuma interferir no salário.

— Não há diferença salarial baseada na nacionalidade da pessoa. Um cargo em uma empresa privada vai pagar o mesmo valor para um funcionário, seja americano ou brasileiro.

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Para obter sucesso na empreitada de mudar para os EUA, porém, é preciso esforço. As dificuldades são grandes e, segundo Freitas, se não houver a consciência desta realidade, virá a frustração.

— Se um brasileiro vem para os EUA trabalhar como assalariado e acha que ficará rico da noite para o dia ou até mesmo dentro de 1 ano, então provavelmente irá se decepcionar. O crescimento, para o estrangeiro que chega aos EUA, é gradual. É preciso construir crédito, documentar-se corretamente cumprindo todas as exigências da lei, declarar seus impostos de maneira correta, entre outras iniciativas.

A tendência de alta do número de vistos de imigrantes emitidos pelo governo americano para cidadãos brasileiros é uma mostra, segundo ele, de que tem havido uma consciência maior em relação às dificuldades. Em 2016 foram emitidos 3.310 vistos de imigrantes. Já em 2017, esse número subiu para 3.366 vistos para brasileiros que se mudaram para os EUA.

— Podemos concluir que a porcentagem de brasileiros que não conseguem se estabelecer hoje nos EUA é ínfima. No máximo, 5%.

Total de imigrantes

Segundo o DHS (Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos), aproximadamente 1,13 milhão de estrangeiros obtiveram o status de LPR (Residente Permanente Legal) no ano fiscal de 2017.

O número diminuiu em relação ao ano fiscal de 2016, que foi de 1,18 milhão, mas aponta que o país ainda recebe uma quantidade considerável de novos moradores, vindos principalmente do México, China, Cuba, Índia, República Dominicana e Filipinas.

A população de imigrantes nos EUA chegou ao recorde de 43,7 milhões em 2016, segundo o CIS (Centro para Estudos de Imigração). Estima-se em geral que, destes, 12 milhões são ilegais. No fim de 2017, a população dos EUA chegou a 326 milhões de habitantes, segundo Escritório do Censo americano.

O estudo da Hayman também apontou que há aproximadamente 1,3 milhão de brasileiros legalizados vivendo nos EUA atualmente, sendo que os principais Estados são Florida (20%), Massachusetts (17%), Califórnia (10%), Nova Jersey (9%) e Nova York (7%).

A faixa etária dos brasileiros legalizados é de 39% entre 30 e 44 anos; 26% entre 45 e 59 anos; 18% entre 20 e 29 anos; 7% de menores de 20 anos e 10% com mais de 60 anos. Os casados são 57%, enquanto os solteiros, divorciados ou viúvos compõem os restantes 43%.

A qualificação pode ser vista no nível educacional: 46% têm graduação incompleta, 30% são graduados e 13%, pós-graduados.

Os setores em que os brasileiros mais atuam são de Administração (19,6%); Construção Civil (17,4%); Arte, Entretenimento, Hotelaria e Gastronomia (13,6%); Comércio (9,9%) e Educação ou Saúde (9,1%).

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