Brasileiro implora perdão e diz que vai morrer se voltar ao Brasil

Márcio Goulart do Nascimento estava algemado, vestindo um macacão de prisioneiro na cor azul, em um tribunal federal com outros 11 homens na tarde de sexta-feira, dia 15. O caso foi registrado na cidade de El Paso, no Texas.

Há duas semanas, próximo a El Paso, agentes da Patrulha capturaram o brasileiro, que tentava atravessar a fronteira entre os Estados Unidos e México com sua esposa Eliana, um filho de nove anos e uma filha de 15. O casal foi preso e as crianças separadas dos pais, dividindo a família.

Essa foi a última vez que ele viu seus filhos.

No tribunal de El Paso, a política de “tolerância zero” imposta pelo presidente Donald Trump contra a imigração ficou evidente. Anunciado pelo procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, em abril, a política significa que todos os que forem apanhados atravessando ilegalmente a fronteira serão processados e isso resultou em mais adultos presos e, nas últimas seis semanas, cerca de 2.000 crianças separadas de seus pais.

Todos os dias, dezenas de pais da América Central e do Sul enfrentam acusações de tentar entrar ilegalmente nos EUA e tentar contar a sua história para permanecer no país.

Depois de condenar Goulart do Nascimento por entrar ilegalmente nos EUA, o juiz Miguel Torres perguntou se ele queria dizer alguma coisa ao tribunal.

“Eu decidi vir para os Estados Unidos com minha esposa e dois filhos, porque se eu ficasse no Brasil eles matariam toda a minha família”, disse o brasileiro a Torres, com olhar de desânimo.

Nos momentos abertos para ele falar, o operário brasileiro de 38 anos disse, por meio de um intérprete, por que fugiu de sua cidade natal, Vitória, a cerca de sete horas a nordeste do Rio de Janeiro.

“Eu queria apresentar uma queixa contra uma casa de drogas no meu bairro”, disse ele. “Então eu fui à delegacia de polícia para reclamar sobre esse local de tráfico e eles me disseram que se eu registrasse uma queixa seria morto. Foi quando decidi fugir com minha esposa e filhos para os Estados Unidos. Eu fiquei sabendo ontem que eles mataram meu senhorio porque ele nos ajudou a fugir para este país”, continuou.

Emocionado, o brasileiro segue com seu depoimento: “Por favor me perdoe. Eu vim com toda a minha família porque não queria que morrêssemos”.

Logo depois de terminar sua declaração, Goulart teve uma convulsão. Outros prisioneiros o pegaram, e um funcionário da corte conseguiu sentá-lo em uma cadeira enquanto seu corpo ficava mole e os olhos fechados.

O juiz pediu um paramédico e os oficiais de justiça levaram o brasileiro para uma cela de detenção. Isso interrompeu o processo, mas apenas momentaneamente.

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