Americano-brasileiro denuncia tratamento dado a filhos de imigrantes detidos em abrigo nos EUA: ‘Não podem se abraçar’

Filho de brasileira trabalhou como voluntário em um dos abrigos para jovens imigrantes ilegais separados de suas famílias ao cruzar a fronteira do México com os Estados Unidos.

Filho de mãe brasileira e pai norte-americano, Antar Davidson de Sá atuou entre fevereiro e junho em um centro especializado para receber crianças e jovens imigrantes separados dos pais em Tucson, cidade desértica no estado do Arizona.

Segundo ele, há sete brasileiros no abrigo, com idades entre 8 e 17 anos. O mais velho, inclusive, completa 18 anos em 24 de junho. “Não sei o que vão fazer com eles”, preocupa-se Sá.

Ao G1, ele relatou o que viu no abrigo em Tucson, que ele considerou “uma prisão para crianças e adolescentes”.

Por que você parou de trabalhar no abrigo?

Foi quando uma funcionária disse a dois irmãos brasileiros que eles não podiam se abraçar. A partir desse momento, eu vi que não poderia continuar trabalhando no abrigo. Disseram que eram regras do local.

Isso quer dizer que havia celas para os jovens?

Não, fisicamente falando estão bem. Há quartos para todos. Eles comem da mesma comida dos estudantes das escolas da cidade.

Ainda assim, não pude entregar uma pomada a uma menina brasileira com os lábios rachados. O tempo é muito seco aqui no Arizona nesta época do ano. Ela me pediu, mas eu me senti muito mal em dizer que não poderia quebrar as regras.

E como estava o emocional deles?

Confusos, não sabem o que está acontecendo. Até eu chegar, não havia ninguém que falasse português.

O problema maior é a comunicação, então?

Sim. Todo mundo de lá [do abrigo] tenta falar com esses jovens em espanhol. E, quando não entendem, [os funcionários] acham que os adolescentes estão brincando. Mas português não é espanhol.

Se os jovens que falam espanhol e entendem tudo estão em uma situação traumática, imagine os brasileiros. Espanhol não é português e português não é espanhol.

Como os brasileiros foram parar no abrigo?

Sei que pegaram um avião para o México e tentaram cruzar a fronteira com as famílias. Só o mais velho, o de 17 anos, veio sozinho.

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