EUA: Miami já tenta voltar à rotina, e população celebra impacto mais fraco do Irma apesar de danos

O forte cheiro de lodo nas ruas, sob o calor de 37 graus na segunda-feira em Brickell, Miami, impedia que os moradores se esquecessem da fúria do furacão Irma, que passou pela Flórida no domingo e na segunda, deixando quatro mortes, inundações e mais de seis milhões de consumidores sem eletricidade. Mas o som incessante de bombas para a retirada de água das garagens dos edifícios e dos geradores a diesel, que garantiam uma certa normalidade aos prédios do bairro, e a reabertura de cafés, restaurantes e supermercados menos de 24 horas após a passagem da tempestade, comprovavam que a preparação inédita no país para o fenômeno deu bons resultados. No total, sete pessoas morreram nos EUA: além das vítimas fatais na Flórida, duas perderam a vida na Geórgia e uma na Carolina do Sul, estados onde a tempestade chegou ontem, com ventos de até 100km/h.

Moradores afirmam que, apesar de todos os problemas e prejuízos bilionários, a Flórida passou no teste do maior furacão já registrado no Atlântico e conseguiu evitar uma catástrofe, como chegou a ser previsto. Aos poucos, muitos tentaram retomar a rotina, passeando com seus cachorros e fazendo exercício ao ar livre. O cenário apocalíptico ficou mais restrito a locais do Caribe e de Cuba, com o registro de 38 mortes pelo furacão. Mas, mesmo rebaixado à categoria de tempestade tropical, Irma segue ativo, causando danos no Norte da Flórida e ameaçando estados vizinhos, numa indicação de que seus desafios continuam.

— Acredito que tivemos sorte. Anunciaram que seria o inferno e, no final, foi menos pior que o Wilma (furacão de 2005) e que o Andrew (1992). Ele chegou mais fraco e não passou exatamente sobre Miami — contou ao GLOBO a aposentada Tracy Waddick, que passeava com seu neto em Miami Beach na manhã de ontem, desviando-se dos galhos que caíram. — Aqui o dano foi pequeno, é problema para uma semana.

A maior parte dos moradores se assustou com a expectativa de um furacão categoria 5 (a maior) cruzando Miami, previsão que continuou até a sexta-feira. Assim, o inédito plano de contingência, determinando que mais de seis milhões de moradores saíssem de suas casas, surtiu efeito, bem como a abertura de 393 albergues, que receberam 220 mil moradores. E, com a redução da força e a nova rota do Irma, os impactos foram reduzidos — mesmo assim, causaram inundações, prejuízos bilionários, deixando sem luz 64% das casas e quatro mortes no estado, todas no trânsito durante a tempestade.

— Foi ruim, nunca um furacão passa incólume. Mas não foi horroroso — afirmou Reyna Beard. — Agora espero que a energia volte logo. Esse é o maior problema após o furacão, ficar até duas semanas sem eletricidade.

Realmente a pior situação não foi vivida por Miami, mas nas Florida Keys — ilhas no extremo Sul do estado, onde fica Key West — na costa Oeste, em cidades como Tampa e Naples, e no Norte, onde o Irma, já como tempestade tropical, provocou sérias inundações e prejuízos. Após sobrevoar a zona, o governador Rick Scott confirmou uma grande devastação nas Florida Keys. O acesso às ilhas continuava fechado, enquanto autoridades limpam os escombros, árvores e areia nas pontes.

— Há devastação e muitos danos. O que vimos foi horrível.

Mas, na maior parte do estado, as águas das enchentes e da maré já retrocederam, deixando lixo, mas sem inundações. No Norte, como na região de Jacksonville, as fortes chuvas continuavam, num cenário que lembrou o furacão Harvey, que gerou mais prejuízos após ser rebaixado a tormenta tropical no Texas. Agora, o principal desafio para as autoridades é restabelecer a eletricidade e retirar árvores das ruas. Os aeroportos de Miami e de Fort Lauderdale continuavam fechados ontem por terem sofrido inundação em seus terminais, mas a previsão é de que sejam reabertos hoje.

Estimativas preliminares afirmaram que Irma e Harvey — que há duas semanas causou fortes enchentes em Houston — podem ter causado prejuízos entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões na Flórida e no Texas. Embora os dados do Irma ainda sejam difíceis de calcular, um estudo da AIR Worldwide, segundo a CNN, diz que a conta pode passar dos US$ 50 bilhões nos EUA, e de US$ 65 bilhões, se incluir os estragos no Caribe.

O setor turístico de Miami Beach corre para ter tudo funcionando normalmente o quanto antes. Na manhã de ontem, menos de 12 horas após a passagem do Irma, muitas pessoas tentavam tirar a areia de Ocean Drive — famosa avenida com hotéis e restaurantes em prédios no estilo art déco — e faziam ajustes em edifícios afetados, além de calcular o prejuízo de pequenos saques registrados na região. Alguns turistas aproveitaram o forte calor para ir à praia — apesar das ondas relativamente normais, o mar exibia um tom escurecido e havia grandes falhas na areia, varrida pelo furacão.

— Acredito que o impacto não foi tão grande e a retomada será rápida. Na quarta-feira, todo o comércio já deverá estar funcionando e, em uma semana, Miami Beach voltará ao normal — aposta a brasileira Patrícia Schille, corretora de viagens, desde 2005 na região. — Indico que os brasileiros que tenham viagem marcada para os próximos dias confirmem com empresas aéreas e hotéis.

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  • FONTE: EXTRAGLOBO.COM.BR
  • POSTAGEM: SANDRA SERAFIM
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