EUA – FBI faz busca em agência que realiza partos de estrangeiras em Miami

Agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) apreenderam material da agência Miami Mama LLC, em Hallandale Beach, especializada em fazer partos de grávidas de países estrangeiros que optam por ter seus bebês na América com a intenção de obter cidadania.

A ação policial foi realizada na manhã de quarta-feira, 21. Os agentes percorreram os escritórios e apreenderam várias caixas de arquivos e papeis na agência localizada na 1250 E. Hallandale Beach Boulevard.

Pacotes Miami Mama

A empresa oferece pacotes que vão de menos de $20 mil a mais de $53 mil dólares e incluem todos os medicamentos e procedimentos que acompanham o parto. Eles cobram mais por cesáreas e por ajudar os pais a encontrarem moradia, abrir contas bancárias e tirar documentos como o Social Security, certidão de nascimento e outros documentos necessários para a criança, diz o site.

Essa prática tem gerado polêmica durante a campanha presidencial de 2016, mas mesmo assim, empresas têm oferecido o serviço que defendem ser dentro da lei. De acordo com a Constituição americana, todas as crianças nascidas no país, inclusive se forem filhas de turistas ou imigrantes indocumentados, conseguem a cidadania do país automaticamente. Essa é uma das questões que o presidente Donald Trump considera abusiva e pretende mudar.

De acordo com a lei de imigração dos EUA, qualquer pessoa que mentir sobre o propósito de sua visita pode ser acusada de fraude de visto, mas o turismo de nascimento não é tecnicamente ilegal.

Clínica brasileira – Ser mãe em Miami

Uma empresa brasileira de negócio semelhante, a “Ser Mamãe em Miami”, já atendeu milhares de brasileiras. Criada pelo pediatra brasileiro nos EUA, Wladimir Lorentz, 47 anos, e o obstetra colombiano Ernesto Cárdenas, a ideia veio justamente do serviço oferecido pela Miami Mama.

Wladmir, é pediatra há 17 anos e disse que já havia começado a atender turistas brasileiros, até que resolveu abrir a empresa. Embora não haja leis que proíbam a viagem de grávidas, companhias aéreas costumam pedir um atestado de passageiras em estado avançado de gravidez. Lorentz recomenda que elas consultem um obstetra antes de embarcar e façam a viagem antes de completar sete meses de gestação.

A “Ser mãe em Miami” oferece três pacotes de partos. O natural sai por $10.802 dólares; a cesárea, $13.040 dólares; e o múltiplo (gêmeos ou mais) por cesárea tem o preço avaliado em consulta.

Todos os planos incluem atendimento pré e pós-natal, até três dias de “internação hospitalar em suíte VIP” e exames básicos para a mãe e o bebê.

“Bebês âncoras”

Filhos cidadãos americanos só podem pedir a residência dos pais depois que completar 21 anos, de acordo com as leis de imigração. Mesmo assim, milhares de mães estrangeiras têm viajado aos Estados Unidos para dar à luz no país.

A polêmica dos “bebês âncoras” gerou discussão na campanha eleitoral de 2016, onde o presidente Donald Trump prometeu acabar com a concessão automática de cidadania a filhos de estrangeiros.

Para o advogado de imigração, Kyle Barella, o fato de Donald Trump dar destaque à discussão e querer acabar com os “bebês âncoras”, ele acabará também com um serviço que se tornou um “negócio lucrativo” para tais empresas.

A lei de cidadania de nascimento – embora legal – está sendo usada de forma abusiva por essas empresas. De acordo com Barella, o alvo da investigação não são as imigrantes grávidas e pobres que atravessam a fronteira sul para ter bebês nos EUA, mas sim as empresas direcionadas a estrangeiros ricos de países como a China e a Rússia que chegam a lucrar $99 mil dólares por “parto”.

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Com informações da NBC Miami

POSTAGEM: SANDRA SERAFIM

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