EUA – Brasileira é sequestrada e espancada em Miami

A brasileira Rita Valentina Biazi, 45 anos, que é de São Paulo e mora em Sunny Isles, foi vítima de agressão e tentativa de homicídio na noite do dia 2 de maio, próximo ao Aeroporto Internacional de Miami.

Em conversa , a administradora de empresas relatou que, por volta de 8:30pm, ao caminhar em uma rua deserta em direção ao carro, após um compromisso profissional, foi atacada por um homem desconhecido, que a golpeou por trás com um taco de beisebol. Com o golpe, ela ficou inconsciente e o agressor a levou para dentro do carro dele. “Ainda desmaiada e já dentro do carro, ele continuou me golpeando e em uma destas pancadas eu acordei por causa da intensa dor que senti”, conta.

Entre ficar no carro e sofrer as consequências de estar nas mãos do que ela chama de psicopata, Valentina decidiu, mesmo com medo, pular para fora do carro em movimento. “Recobrei a consciência e entendi o que estava acontecendo. Tive que escolher entre ficar ali para morrer ou me jogar do carro que estava a 80 milhas por hora. Não era uma escolha fácil, quando abri a porta mal podia ver o asfalto passando de tão rápido, mas sabia que seria a única chance. Orei a Deus e pulei”, declarou.

Ao pular do carro em movimento, próximo ao 1300 NW, na Le Jeune Rd, Ritamachucou principalmenteo lado esquerdo do corpo quando caiu no asfalto. Ela feriu a perna, coxa, braço, mão, seio e rosto. Mesmo tonta pelos golpes e pela queda, lavantou-se e pediu ajuda em uma casa próxima. “Mas como estava muito ensanguentada, ficaram assustados e não me atenderam”, disse. Então, ela recorda que se sentou na calçada até que um carro parou e duas mulheres ligaram para o resgate e a polícia. “Elas ficaram até quando o resgate chegou, depois foram embora. Gostaria de saber quem foi para poder agradecê-las”, afirma.

De acordo com Biazi, tudo aconteceu muito rápido e em locais próximos. “Segundo rastreamento da polícia, onde fui atacada e onde pulei do carro, são cerca de 5 minutos de distância”, explica. A sua bolsa com os documentos ficaram no carro do agressor. “A sorte que não estava com meu passaporte, senão teria ficado sem nenhum documento”, disse.

Biazi foi levada ao Coral Gables Hospital, onde ficou sabendo que fraturou duas costelas, além de suspeita de traumatismo craniano. A paulistanaficou uma semana internada e precisou voltar para fazer duas ressonâncias, e trocar os curativos, porque os ferimentos infeccionaram.

Elaconta que está na Flórida há cinco meses para um curso de “Specialist facial care”, mas já morou anteriormente no estado e faz questão de destacarjustamente sobre como a violência está por toda parte. “Não estamos blindados. O que ocorreu pode acontecer em qualquer lugar, quando menos esperamos”, frisou.

Violência generalizada

A brasileira afirma que decidiu expor o que aconteceu para alertar outras pessoas, inclusive mulheres, que infelizmente, são alvos mais fáceis de bandidos e psicopatas. “Aqui, na Flórida, parece que estamos livres da violência, mas há que se ter todo o cuidado por onde e como andamos na rua. Claro que não se compara o índice de violência entre Brasil e Estados Unidos, mas eu, de verdade, mesmo sabendo que aqui vez ou outra se tem notícias de um louco atirador ou psicopata, jamais imaginei passar por isso. Então, não façam como eu, que estava um pouco distraída buscando a chave do meu carro dentro da bolsa em um bairro mais retirado”, alerta. Segundo ela, o local do ataque lembra muito Pompano Beach, na região entre a Sample e Copans, próximo à Dixie, “onde as casas são mais longe umas das outras, as ruas escuríssimas e quase não se vê ninguém por elas mesmo que não seja tarde da noite”.

Foto tirada ainda no hospital. Ela perdeu parte da pele dos seios e quebrou duas costelas, além de fratura na cabeça e escoriações.

Segundo Rita, dez investigadores e três policiais iniciaram uma investigação e permaneceram em contato com ela nos primeiros cinco dias, após o ocorrido, para que tivessem o máximo de informação possível sobre o suspeito. Segundo Rita informou aos policiais, o homem era hispânico, de cabelo bem curto e preto, usava óculos retangular de grau, e media mais ou menos 1,80m de altura. Magro, porém forte. “Quando acordei já dentro do carro e comecei a gritar, ele me mandou calar a boca e falava em espanhol”, disse.

Depois do relato à polícia, as autoridades disseram à brasileira que o agressor possivelmente pretendia matá-la, pois não buscou assaltar ou estuprar primeiro. “Minha oração é que encontrem esse doente, pois, certamente ele fará mais vítimas”, declara.

Desde que teve alta do hospital, Ritaestá se recuperando na casa de uma amiga e ficará afastada de suas atividades por dois meses. Como as despesas hospitalares ficaram muito altas (segundo ela, a conta hospital jáchega a$48 mil dólares), além de remédios, será criada uma campanha nosite Go Fund Me para ajudá-la.

“Fui informada que este valor talvez subirá, pois tive que voltar nesta semana para a ressonância para saber se não tinha formado coágulo e também pelas costelas, porque a dor ainda era terrivelmente intensa”, relatou.

“Agradeço por estar viva e agradeço de coração quem puder me ajudar a atravessar este momento. Falar de novo a respeito me faz reviver as cenas terríveis que tive que enfrentar, mas não mostrar a violência que sabemos que existe, e que, por um momento nos parece irreal até que aconteça, significaria falta de humildade em reconhecer a fragilidade num momento tão difícil. Também quero compartilhar para que não aconteça o mesmo com outras mulheres”, salientou.

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FONTE: GAZETA

POSTAGEM: SANDRA SERAFIM

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