Todos os menores brasileiros separados na fronteira estão com pais

Um levantamento da embaixada do Brasil em Washington revelou que não há mais crianças brasileiras que, após terem sido separadas na fronteira entre México e Estados Unidos pela “política de tolerância zero” do governo americano, ainda aguardam a reunificação com os seus pais. Segundo o Itamaraty, ainda há oito menores detidos, cujos casos são específicos e mais complexos, porque chegaram sozinhos ao território americano, desacompanhados de seus responsáveis.

— As crianças que continuam sob custódia do governo americano entraram sozinhas ou fazem parte de situações especiais e muito pontuais. São casos mais complexos e que têm que ser avaliados — afirmou Felipe Santarosa, cônsul-geral adjunto do Brasil em Houston ao Globo.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que agentes consulares mantêm visitas regulares aos abrigos onde se encontram estes menores, para prestar apoio e assegurar que estão recebendo os cuidados devidos.

Entre estes casos, o cônsul citou a situação de uma menina de 17 anos que estava sob custódia num centro para menores em El Paso, no Texas. Segundo Santarosa, ela cruzou a fronteira sozinha e é emancipada; por isso, foi a única, dentre os últimos oito menores que estavam em abrigos com processos pendentes no estado, que não foi reunida com responsáveis legais. Após a averiguação sobre a veracidade dos seus documentos de emancipação pelo consulado, a adolescente foi redirecionada para responder como adulta em um dos centros de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE).

Outro caso citado pelo cônsul é o de uma criança de 9 anos em Chicago que entrou nos EUA com o irmão, que é maior de idade e tenta obter a guarda do menor, uma vez que os pais estão no Brasil. Santarosa disse ainda que há ainda outros menores na cidade do estado de Illinois, para onde a grande maioria das crianças e adolescentes brasileiros separados dos pais na fronteira foi levada, e também no Arizona.

Também há situações de menores que foram reunidos aos seus pais mas, ao invés de as famílias aguardarem os resultados dos seus processos de concessão de visto ou de asilo em liberdade, foram levadas a centros de detenção familiar. Em julho, um pai brasileiro e seu filho de 9 anos foram enviados a um destes centros, localizado na Pensilvânia, após sete semanas de separação.

Não houve casos de brasileiros deportados sem os filhos. Este é um drama que aconteceu a mais de 400 crianças de outras nacionalidades, deixadas para trás após seus pais terem sido forçadamente levados de volta aos seus países de origem.

Quase 3 mil crianças foram separadas de seus pais na fronteira dos EUA como parte da “política de tolerância zero” contra imigrantes sem documentos, pela qual os adultos passaram a ser processados criminalmente e os seus flhos, enviados a centros de acolhimento para menores. Depois de muitas críticas, o presidente americano, Donald Trump, recuou e acabou com a separação das famílias no dia 20 de junho.

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