Redução de tarifa dos EUA estimula calçadistas

Medida sancionada pela Casa Branca há cerca de duas semanas tem potencial para beneficiar os exportadores do segmento calçadista. A legislação, que rege tarifas de importação de 1,7 mil itens, diminuiu a média atual das alíquotas de 63 produtos calçadistas de 18% para cerca de 3%, e mais da metade deles teve sua tarifa zerada. Pelo texto, a determinação deve ter vigência até 2020, podendo ser revogada antes deste prazo pelo governo americano.

A notícia chega em bom momento ao setor, que acumula perdas significativas nas exportações para o país desde o ano passado. Principal comprador dos calçados brasileiros até março, no acumulado de 2017 a queda no envio de pares para os Estados Unidos é de 14,4%, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Com a diminuição, a Argentina passou à frente do país norte-americano como maior comprador dos produtos brasileiros. Pela avaliação da coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck, a medida, acrescida às perdas projetadas no segundo semestre em função da crise cambial argentina, devem impulsionar a recolocação os Estados Unidos na primeira posição das exportações brasileiras.

No Rio Grande do Sul, onde há predominância de peças em couro, que correspondem a 80% do valor embarcado nacionalmente, a volta do país vizinho à segunda colocação aconteceu ainda em julho pelo maior peso total do exportado. Além disso, o Rio Grande do Sul é o estado que mais exportou calçados em agosto, com quase 47% do total nacional. “Estes dados, acrescidos à nova medida adotada pelos Estados Unidos, não significam uma natural e imediata reversão da queda, mas gera um certo estímulo ao setor”, explica Priscila. Pela característica de predominância do couro como principal matéria-prima dos produtos gaúchos, o acumulado de perdas gerais do segmento no Estado (1% em pares), no primeiro semestre do ano, foi menos significativo do que na comparação com o total nacional, de 10,3% em pares.

Outro ponto positivo apontado por Priscila é o fato de os Estados Unidos não estarem deixando de receber produtos de fora. No acumulado de janeiro a julho, inclusive, o país incrementou em 3% as suas importações de calçados. Assim, pelo seu entendimento, o quadro é mais facilmente reversível. “A medida pode trazer alívio e margens para negociações com os compradores locais que estavam buscando itens em outras regiões”, salienta. Por outro lado, Priscila explica que as quedas de alíquota aconteceram em peças específicas, com limitação de gênero, valores e matéria-prima, fazendo com que as indústrias que não se encaixem de imediato, precisem se adequar se quiserem ser beneficiadas pela medida.

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