Mãe e filho são presos após atravessar a fronteira

O sonho americano virou pesadelo para mãe e filho que tentaram entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Os dois, que moram em Sorocaba (SP), foram flagrados por agentes americanos quando tentavam entrar no estado da Califórnia, no ano passado.

O rapaz foi transferido cinco dias depois. No estado do Arizona, o sorocabano ficou 22 dias preso com outros 100 imigrantes. “Para mudar de penitenciária, fiquei mais de 24 horas sem comer nem beber, algemado dentro de um ônibus que nos levava para a cidade de Laredo, no Texas”, conta.

Sueli passou por cerca de cinco penitenciárias dos Estados Unidos. “Foram tantos lugares que nem lembro o nome. Me garantiram que não ficaria longe do meu filho, mas fiquei. As celas eram superlotadas, horrível”, lamenta.

Os dois foram presos em 5 de outubro. A mãe ficou um mês presa até ser deportada. Já para o rapaz o retorno foi mais difícil: foram três meses passando de prisão em prisão até conseguir a deportação para o Brasil.

Segundo o Itamaraty, os dois estão entre os mais de 1,4 mil brasileiros que foram deportados dos EUA durante 2017.

A ideia de correr atrás do sonho americano começou a tomar forma há um ano. Desempregado e pai de três filhos, de 2, 4 e 9 anos, Wellington viu nos EUA a chance de dar uma vida melhor à família.

Sueli aproveitou os planos do filho e resolveu ir junto. A dona de casa, mãe de cinco filhos, queria proporcionar condições melhores a eles e ao neto de 8 anos, que tem paralisia infantil. “Fiz essa escolha pensando nele”, afirma.

Eles contam que pesquisaram na internet o melhor trajeto para fazer a travessia ilegal. As pesquisas começaram em janeiro de 2017 e, quase nove meses depois, em setembro, deram início ao plano.

“Ficávamos pesquisando o lugar mais fácil para entrarmos e vendo onde seria mais barato”, lembra Wellington.

Ao contrário de outros brasileiros, que contratam “coiotes” para ajudá-los na travessia, os moradores de Sorocaba resolveram ir sozinhos.

O voo que levou os sorocabanos à Tijuana, no México, cidade tradicionalmente escolhida por quem quer se arriscar a cruzar a fronteira, partiu do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no dia 25 de setembro de 2017.

“Chegando lá, iríamos procurar ajuda em igrejas e hospitais até conseguirmos um emprego. Não tínhamos medo porque estes lugares têm um acordo de não denunciar imigrantes”, conta o rapaz.

Quando pousaram, Sueli e Wellington foram à praia de Tijuana. “Seguimos o muro que divide os dois países a pé. Ficamos dois dias andando e procurando um lugar para entrarmos no país. Durante o dia ficávamos todo o tempo escondidos. Só andávamos à noite, assim, a possibilidade de alguém nos ver era menor”, afirma Sueli.

Eles contam que não conheciam o local nem o caminho exato. “Nós não participamos de nenhum grupo, fomos sozinhos. O nosso dia era subir e descer morro. Subir e descer montanhas intermináveis”, diz.

Cinco dias depois de sair do Brasil, os dois conseguiram entrar nos EUA. “Depois de passar pela fronteira, de madrugada, ficamos mais cinco dias andando rumo a San Diego, onde queríamos morar e trabalhar.”

Mas a sensação de conquista durou pouco. “Depois de andarmos muito, até chegamos a ver a cidade de longe. Mas aí, de repente, fomos pegos pela imigração.”

Wellignton conta que, ao ser preso, tentou pedir para dar um telefonema, mas foi impedidio. Nem ele nem a mãe falavam outro idioma além do português.

“Não deixaram ligar para minha família… Não pude avisar ninguém!”, diz. Já Sueli conseguiu dar um rápido telefonema para a filha, de 21 anos. “Foi o tempo necessário da minha mãe dizer, ‘estou presa’ e desligaram o telefone”, lembra Stefani de Oliveira.

Separados depois da prisão, mãe e filho dizem que procuraram ajuda do Consulado Brasileiro, mas não tiveram retorno.

Ao G1, o Itamaraty, informou que não há registro de contato dos brasileiros com o consulado de Los Angeles, responsável pela área onde foram presos. Reforçaram também que o Itamaraty presta assistência consultar fornecendo roupas, comida, material de higiene e assistência jurídica para os brasileiros que pedem ajuda.

7º lugar em deportações

Até o dia 31 de dezembro de 2017, havia 548 brasileiros presos nos EUA aguardando a extradição. A principal motivação das detenções são irregularidades imigratórias. Ainda ano passado, 1.413 brasileiros foram deportados, um aumento de 30% em relação a 2016, que contabilizou 1.095 repatriamentos.

Segundo o ministério, o Brasil foi o 7º país com mais deportações na fronteira americana. Em primeiro lugar ficou o México, com mais de 128 mil casos. Guatemala, Honduras, El Salvador, Haiti e República Dominicana vêm em seguida, respectivamente.

Sueli soube que seria deportada no fim do mês de outubro. Chegou no Brasil dia 10 de novembro de 2017. “Eu achava que encontraria meu filho no aeroporto, para voltarmos juntos, mas não foi o que aconteceu.”

“Recebi a notícia que seria deportado no dia 22 de dezembro. Logo no outro dia já embarquei rumo a São Paulo”, conta o filho.

De volta ao Brasil, Sueli diz que tudo não passou de uma ilusão. “O meu sonho agora é ficar no Brasil! Tudo o que nós achamos que aconteceria foi uma ilusão. Não é nada do que eu imaginava… Nada!”, completa.

Quando perguntados se voltariam ao país, a resposta vem em uníssono, como se tivesse sido ensaiada: “Nem a passeio!” (fonte: Globo.com)

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